Rodrigo fiuza
                                                      
                                                                                                                                  
 
Rodrigo Fiuza
Noticias e informações
2010.08.05 20:52:55
Rodrigo Fiuza,  estará no programa Hoje em Dia relantando todos os acontecimentos de sua expedição a Africa.Em Setembro o atleta ministrará palestra na Adventure Fair em Sao Paulo, onde fará lancamento de DVD cultural.

Referências: africa | hoje em dia | rodrigo fiuza

Leia mais...


 
Rodrigo Fiuza
Após um calor de 47 graus no deserto do Sudão, Rodrigo Fiuza é acolhido pela embaixada brasileira.
2010.05.12 18:04:19

Chegara o dia tão esperado,  o embarque no barco que vai  para o Sudão.  Não aguentava mais permanecer na pequena Assuan,  já conhecia tudo na cidade e os dias eram longos e tediosos. Na minha última noite na cidade fiquei super ancioso esperando o dia seguinte.

Às 7:30  da manha já estava de pé,  me dirigi ao porto para chegar lá as 10 horas conforme havia combinado com o Dr Sallar.  Ao chegar ao porto estacionei a minha moto e me deparei com uma multidão de sudaneses e egípcios,  o local parecia um grande bazar,  as pessoas tentavam embarcar com tudo, desde geladeiras até saco de batatas,  inclusive eu me perguntei, será que no Sudão não existem batatas para vender?

O embarque  foi custoso,  é impressionante como esses paises não informatizam as coisas,  para tudo que vai se resolver é uma pilha de papel e você não pode perder nenhum,  o mais complicado é sempre a moto que dá aquele trabalho para liberar a sua papelada de embarque.  Depois de tudo liberado,  levei a moto até o ponto de embarque,  o navio parecia um “Pau de arara“ sobre as águas... Não lembrava nem de longe o grande navio que usei para fazer a travessia do Mediterrâneo da Itália até a Tunísia.

As pessoas se amontoavam e suas mercadorias eram jogadas no porão, a idéia é que não se tem o mínimo controle do que vai... A todo o momento havia brigas de passageiros com carregadores e funcionários,  em algumas horas eu me punha em pontos estratégicos para ver estarrecido tamanha confusão. Fui um dos últimos a embarcar, pois tive que esperar praticamente que todos os porões fossem cheios  para que eu pudesse acomodar minha moto na parte superior do navio.  Já eram 17 horas quando consegui embarcar minha moto.  A partir desse momento comecei a ter grandes dificuldades com alimentação, que se estenderam por toda semana. No porto não havia lugar para comprar comida  e até aquela altura só havia comido uma caixa de biscoitos e um chocolate derretido.

Depois do embarque da moto,  entrei no navio. A cena seguinte era inacreditável, as pessoas se amontoavam nos corredores,  a poltrona que eu havia pago por ela,  não havia mais,  já estava sendo ocupada,  ali era uma verdadeira luta para se conseguir um lugar para passar a noite.  Na entrada do barco você recebe um “ vale refeição”,  a minha fome era enorme e mesmo apesar da falta de higiene do local me dirigi ao refeitório e pedi a minha janta.  Me serviram uma sopa  de grãos,  um pedaço de frango e uns pães árabes,  eu me pus a comer largando somente os pães,  pois na entrada do navio havia visto eles serem tirados da caçamba de uma camionete toda enferrujada e sem proteção nenhuma, a minha sorte é que estava de posse de meus suplementos da Nutrilatina,  assim consegui me manter mais forte.  Depois de ter enganado um pouco a fome fui procurar um espaço para dormir.  Na parte interna do navio,  não haviam mais lugares,  a visão era impressionante,  cheguei a pensar que as pessoas por aqui são tratadas como animais,  a cena de mulheres tentando se acomodar pelos corredores sujos no chão, são bem marcantes.

Subi para o deck do navio,  uma parte aberta ao tempo e  por lá já se acomodavam dezenas de pessoas,  achei um local mais acima, bem na parte superior.  A principio a noite estava linda e a temperatura bastante agradável,  consegui dormir no chão usando o meu pequeno cobertor.  Durante a madrugada eu conheci aquele ditado que sempre escutei que no deserto o calor de dia é insuportável e a noite o frio também. Acordei com um forte vento batendo em meu ouvido,  estava muito frio,  coloquei todas as minhas roupas,  porem não consegui mais dormir direito. Depois das 4 da manha,  fiquei praticamente acordado o resto da noite ,  torcendo para amanhecer e ver o sol brilhar novamente.

O frio da noite já dava  lugar ao sol impiedoso e ao calor sufocante,  já às 8 da manhã o calor insuportável. Sem ter o que fazer esperei até o navio chegar em terras Sudanesas.

O Sudão é um país que vive hoje na linha vermelha com os EUA,  o país está dentro da lista de países que sofrem com as sanções impostas pelos EUA  devido a abrigar uma série de pessoas consideradas terroristas. O sul do país é cristão e briga com norte, Islâmico, para conseguir sua independência além do governo de Karthoum está sendo acusado por genocídios pela ONU na região de Darfour  no oeste do país.

No inicio da tarde já estávamos chegando em Hallfa,  um impressionante povoado no meio do deserto,  essa pequena vila porém recebe alguns estrangeiros que como eu atravessam do Egito para o Sudão.  Tinha que dormir um dia no povoado,  pois a minha moto só chegaria no dia seguinte.  No porto peguei uma lotação que era um velho jeep,  que não passava de 40 por hora e que percorreu os 5 km de areia que separam o porto do povoado.

Logo na chegada, fiquei meio assustado com o local,  a cidade possuía 2 hotéis, eu  estava doido para tomar um banho,  porém nenhum dos dois hotéis possuíam água.  O recepcionista me levou até o quarto, um corredor todo construído de barro,  aliás areia,  e quando abriu o quarto não havia nada,  eu perguntei a ele,  onde iria dormir?  Ele me esclareceu que o quarto servia para guardar as mochilas, e em seguida  ele me puxou uma pequena cama feita com molas e um colchão em cima para frente do quarto e me avisou que ali todo mundo dormia fora dos quartos, pois o calor dentro era insuportável. Como não tinha outra opção fechei o negócio. A noite foi caindo e me dirigi até o pequeno centro, os três restaurantes servem comida e bebida não alcoólica e a principal atração fica por conta da competição dos restaurantes que colocam televisões para fora do estabelecimento e as pessoas disputam as cadeiras que ficam enfileiradas para assistirem alguns programas. Logo depois que comi algo,  voltei ao hotel e me acomodei em minha cama e sem conseguir tomar meu desejado banho tratei de dormir um pouco.

No dia seguinte logo cedo fui até o porto.  O ruim de viajar de moto é quando se tem que passar pelas fronteiras,  colocar um veículo estrangeiro em alguns países te causa uma boa dor de cabeça e stress. Essa minha viagem pela África está sendo muito penosa, pois os países são pequenos, então as vezes entro, fico 5 dias e já estou indo para outra fronteira.  O impressionante é como alguns países não tem o mínimo de informatização e nos dão uma pilha de papéis com escritos em árabe e temos que guardar todos até a saída do mesmo.

No Sudão não foi diferente e a rotina de stress  foi a mesma,  a sorte é que consegui contratar um despachante que agilizou bastante as coisas para mim.

(A estrada que liga Halffa a Karthoum,  foi construída por Osama Bin Laden, o saudita morou por 6 anos em Karthoum e ainda mantem celúlas da Al Quaedda no país)

No inicio da tarde já estava com minha companheira, então coloquei o pé na estrada.

Um capítulo a parte começava em minha carreira de aventura...  A estrada foi se tornando cada vez mais insólita,  nenhum carro passava e o enorme deserto que eu achava que iria sumir, estava se mostrando mais vive que nunca.

Após rodar 400 km, já estava anoitecendo, e eu  não havia cruzado com nenhum posto de gasolina nem venda de comida,  tudo o que havia na beira da estrada eram algumas casas bem distantes da beira. A necessidade por combustível me fez entrar em uma estrada de areia até chegar a um conjunto de moradias bem simples, logo na entrada   um grupo de crianças veio correndo em minha direção curioso para saber quem era aquele estranho que entrava em sua pequena vila,  ao se aproximarem fiz sinal e falei que precisava de benzine, as pequenas criaças foram correndo ao lado da moto por 2 quarteirões e me levaram a uma venda,  onde consegui comprar 3 galões,  dois eu usei para abastecimento no local e um eu levaria comigo, pois estava um pouco assustado com aquele trecho.

Os km seguintes não foram diferentes, nada para comer,  nenhuma cidade, e para meu desespero a noite caiu,  eu estava com bastante sono e meu pensamento agora era encontrar algum local para dormir.  Dirigir a noite por aqui é bastante perigoso,  vários são os animais que cruzam a pista,  como camelos,  cabritos e pequenos burrinhos.

Depois de ter rodado 680 km, às 22 horas,  consegui avistar uma pequena venda na beira da estrada  com um pequeno posto de gasolina,  não havia outra opção para mim ,  dormiria ali mesmo.  Consegui comer dois ovos que fizeram mexidos para mim e dormi mais uma vez na cama típica do deserto.  A noite era estrelada e consegui descansar um pouco,  apesar da preocupação de dormir em um lugar com pessoas que eu não tinha a mínima noção de quem fosse. Às 5:30 da manha já estava de pé, as nove o calor já era impressionante,  eu já estava meio fraco  pois não comia direito desde Assuan.

Durante esse trecho se passa pelo trópico de Câncer,  devido a esse motivo, Karthoum se torna uma das cidades mais quentes da África, e  foi com o sol das 13 horas que eu chegava exausto na capital sudanesa.

Meu destino seria a embaixada do Brasil, pois precisava pegar o visto do Kenia.

Eu estava já tonto e meu corpo não segurava mais na moto,  não tinha mais forças,  juntou a fome de 4 dias com o calor de inacreditáveis 47 graus com o asfalto escaldante e o calor subindo do motor da moto. Meu raciocínio não respondia,  não estava conseguindo pilotar mais direito,  o transito confuso da cidade não me deixava localizar a embaixada.  Depois de mais de 2 horas rodando vejo a bandeira brasileira no alto de uma casa.

Arrastado eu entro em nosso território no Sudão,  todos da embaixada aparecem e me oferecem água,  comida e uma acolhida que eu estava precisando.

Depois de ter conseguido repor minhas forças, fui acolhido na casa de um funcionário da embaixada,  é deste local que escrevo emocionado este depoimento.  Passarei dois dias na casa de um membro da embaixada do Brasil e assim que tiver meu visto do Kenia nas mãos,  sigo meu destino.

A esperança é que os dias melhorem,  uma vez que as areias do deserto do Sahara estão ficando para trás.

Neste depoimento segue meus sinceros agradecimentos a todos os funcionários e ao embaixador do Brasil no Sudão

Do Sudão – Rodrigo Fiúza.



Referências:

Leia mais...


 
Rodrigo Fiuza
As dificuldades de Assuan
2010.05.10 15:25:47

Saindo do Cairo meu destido seria a cidade de Assuan,  no sul do Egito ,  a cidade é a unica fronteira aberta entre o Egito e o Sudão,  porem não existem  estradas para  seguir ,  a única opção é pegar um Ferry que navega pelo rio Nilo,  passando pelo lago Nasser.

Logo no inicio da estrada peguei o trecho mais severo de deserto,  achei  que por estar mais a leste no continente africano,  o deserto seria mais brando,  pelo contrario,  foi o trecho mais desertico e tambem o mais bonito.

A  calor machucava e o sol era impiedoso,  nenhuma nuvem no ceu... teria pela frente 980 km ate Assuan.  A estrada foi ficando cada vez mais solitária,  não haviam lugares para comer e a gasolina cada vez mais escassa.  O medo foi se tornando um companheiro,  pois viajava imaginando oque seria de mim se alguma coisa acontecesse naquele percurso tão desprovido de infra – estrutura e cercado de areia.

Estava muito cansado , com fome e a noite foi se aproximando,  a única opção que tive foi parar em um dos diversos postos policiais que tem pelo caminho.  Em minha chegada ao posto,  tentava me comunicar com os policiais explicando se poderia montar a minha barraca para dormir por ali, quando um oficial com um uniforme rasgado e os sapatos furados,  (aliás os uniformes dos guardas no Egito parecem restos de trapos com roupas velhas e remendadas), se aproximou e me falou que poderia dormir dentro do posto.  O soldado me encaminhou para um quarto sem luz no fundo de um corredor e me falou que eu poderia dormir no chão naquele local.  Sem muita opção resolvi aceitar a proposta.   Recolhi algumas coisas na moto e  a fome apertava....  havia uma vendinha no local,  porem a mesma não oferecia mais que algumas bolachas e refrigerantes quentes.  Durante toda noite dormi naquele chão escutando apitos e gritos em árabe.....

Logo as 5:30 da manhã já estava de pe e de volta a estrada.  Depois de rodar 200 km comecei a sentir a falta de abastecimento da região,  não chegava a posto nenhum,  só se via areia....  alias,  confesso que a essa altura não estou mais aguentando ver so areia e deserto.....  Na solidão da estrada,  cruzei com um restaurante que por sinal era impossivel de comer ,  a comida era servida toda com a mão em pães que ficavam acomodados no chão.  Neste local perguntei se havia um pouco de gasolina para comprar,  foi aí que um morador em vestimenta típica árabe me levou em um quarto onde ele guardava gasolina para vender.  Consegui enxer meu tanque e paguei por isso 4 vezes mais que o valor do produto nas cidades.

A partir daí a minha estrategia era,  sempre que eu viajasse cem km eu ja comecava a procurar o primeiro comedouro e parava perguntado se havia gasolina.  Nessa parte das estradas Egipcias não existem postos de gasolina e esse é  único recurso para se obter o produto.

Depois de 2 dias tensos de estradas ,  chego a Assuan.  A primeira coisa que fiz foi tentar descobrir como era feito o transporte para o Sudão.  Conseguir informações por aqui não é tarefa facil,  cada um informa uma coisa..... depois de umas 3 horas de vai e vem ,  consegui uma informação correta com um Sudanes que estava na cidade e ele me levou até o escritorio do Dr Sallar.  A agencia de transportes do Sallar é a unica que opera na região,   resumindo quem quer ir do Egito para o Sudão esta nas mãos do citado Dr. 

Em conversa em seu escritorio ele me informou para me dirigir no dia seguinte ao porto,  para ver se conseguiria embarcar a minha moto.

Depois de dormir em um pequeno hotel me dirigi ao porto as 8 horas da manha.  O dia foi tenso  pois esperei até as 16 horas ,  quando o Dr Sallar veio me comunicar que não teria lugar para a minha moto naquele dia e que teria que esperar 5 dias,  ou seja ate a proxima segunda – feira.

Sem ter oque fazer voltei para a cidade.  A cidade de Assuan por sorte é um ponto bastante turistico.  É um pequeno povoado construido na beira do rio Nilo,  ao lado do lago Nasser.  Aqui podemos conviver com os Núbios, que são de origem Sudanesa e que vivem as margens do Nilo. Os Núbios habitam a região fazem 7 mil anos.

Estou com muito receio em relaçao ao Sudão.  Diversos são os desafios da região, Kaurtoum, a sua capital tem fama de ser a capital mais quente da Africa, o país tambem passou por 10 anos de guerra civil,  entre a parte sul que é de maioria cristã e a norte de maioria muculmana,  existem tambem registros de celulas da Al Quaeda,  que escolhem turistas para atos de sequestros em troca de resgate.  Na região tambem comecarei a ter que fazer tratamento para precaução da Malária,  a partir do sul do Sudão comecarei a percorrer áreas de riscos


De Assuan - Rodrigo Fiuza



Referências:

Leia mais...


 
Rodrigo Fiuza
Rodrigo Fiuza chega ao Cairo e parte em direção ao Sudão
2010.05.07 17:16:09

Achei que o Egito por ser   um pais  extremamente turistico seria menos burocratico o acesso de turistas.  Logo no posto de imigração meu passaporte foi carimbado e fui ao setor de custom.  Não imaginaria o tamanho do problema que teria a partir daquele momento para a entrada de minha moto.

Oficiais que nao usavam sequer um uniforme ,  comecaram a me ameaçar  ,  falando que a moto nao entraria no Egito.  Depois de varias horas de conversas,  telefonemas e extresse ,  eles vieram me falando que arrumariam o documento de transito provisorio,  mas que teria um custo de mil dólares......  eu nunca havia presenciado  isso em minha vida,  nunca havia pago tamanha quantia  somente para entrar em um pais.

Mesmo depois de paga a quantia ,  os “ oficiais”,  levaram mais de tres horas para me entregarem a liberação,  quando sai da  fronteira já eram 20 horas.

Tinha feito planos de dormir neste dia em uma cidade a 200 km da fronteira,  mas nao foi possivel devido ao atraso de entrada.  Logo quando sai da fronteira uma pessima impressão do país,  uma pessoa logo nos primeiros 10 KM   cruzou a pista da estrada com roupa de civil e uma metralhadora no ombro,  fez um sinal para mim ,  mas logicamente eu acelerei a moto... em poucos minutos cheguei na primeira vila.  Era um lugar horripilante!!!!!  muita sujeira e os muculmanos mais fanaticos moravam por ali.....  não havia nenhuma mulher nas ruas e todos os homens usavam aquela tradicional roupa muculmana,  eu estava com muita fome e debaixo do olhar de todos da cidade fui tentar achar algo para comer naquela vila.  Depois de enganar a fome fui para  o unico hotel da cidade ,  o vaso sanitário era um buraco no chão....  como não tinha mais nada aquele momento ,  fui dormir.  

Os alimentos nessa região do planeta são tratados com extrema falta de higiene,  varias vezes vi pessoas transportando pães nas mãos para vender , e quando os mesmos caiam no chão,  eles não se hesitavam em pega-los e comercializa-los como se nada tivesse acontecido.

No dia seguinte seriam 780 km ate o Cairo.  Me impressionou o estado de conservação das estradas no Egito,  desde a fronteira eram todas duplicadas,  o  lado negativo é que nao se acha nada para comer,  passei o dia todo comendo bolachas e suco.

Outro fato que não pode ser esquecido é que  a policia Egipcia me monitorava  todo o tempo  e com frequencia  eu era parado em barreiras e, mesmo depois de checarem todos os documentos ,  eles ainda me faziam ficar  parado para verificar se eu havia passado no posto anterior e avisavam tambem para os postos da frente que tinha um brasileiro de moto a caminho.

No final do dia cheguei ao Cairo,  a principio a cidade me deixou bastante confuso,  tamanha a desorganização de seu transito, a quantidade de veiculos buzinando a todo instante e a falta de sinalização, esses fatores  fazem com que seu  transito se torne quase impossivel ao olhar de nós brasileiros.  Em um certo cruzamento, um oficial me mandou atravessar a rua , sendo que a mesma estava vindo uma quantidade enorme de carros,  eu fiz sinal que nao dava para passar e ele com olhar severo me intimou a fazer tal “ atrocidade” no transito,  quando coloquei minha moto no cruzamento os veiculos foram parando e cedendo passagem para mim,  claro que não faltaram as buzinas.  Percebi que no transito do Cairo apesar da falta de sinais os carros entram nos cruzamentos e se entendem......

Fiquei  dois dias na cidade,  onde conheci outro Moahmed,  um simpatico motociclista que me levou para trocar o oleo e fazer alguns apertos em minha moto,  para nós estrangeiros é muito dificil descobrir algum local no Cairo,  a cidade é muito confusa e cheia de vielas,  alem de ser muito grande.

O mesmo Moahmed,  me levou para conhecer a maior atração do Egito,  as piramides de Keops,  Kefren e Miquerinos,  além da grande Esfinge. O local fica dentro da cidade do Cairo e uma quantidade enorme de turistas visitam o local todos os dias.  De um lado as piramides são espremidas pela grande metrópole e do outro, pelo grande Sahara.

Falando em Sahara,  me impressionou o tamanho do deserto, desde quando entrei na Tunisia que o deserto me acompanha todos os dias,  é muito tenso dirigir neste cenário, o medo é constante,  pois qualquer coisa que acontecer nessas estradas pode ser fatal.

Uma viagem  como essa de moto  requer muito esforço,  por tres vezes ja passei por momentos bem criticos,  o calor judia,  o sol no deserto é impiedoso,  esses momentos só são recompensados quando chegamos a lugares como as piramides do Egito. Para mim foi uma lembrança enorme de minha época de escola, quando estudei as grandes piramides do Egito e seu povo. 

Como meu tempo não é grande,  parto agora em direção a Assuan,  lá é o único acesso ao Sudão,  um país que viveu 10 anos de guerras civis e que será meu próximo destino


-- Do Cairo -  Rodrigo Fiuza



Referências:

Leia mais...


 
Rodrigo Fiuza
Após dificuldades - Rodrigo Fiuza chega a Tripoli
2010.04.29 04:32:30

A estrada em direção a Lybia é toda cercada pelo grande Sahara,  a todo momento encontramos pessoas vendendo gasolina em “postos” improvisados na beira da estrada,  eles vendem galões de ate 20 litros de combustivel,  o mesmo é oferecido para os veiculos que vão em direção ao deserto.

Na fronteira da Lybia,  passei um dos piores momentos ate agora.  Sabia das dificuldades de entrar no país,  mas não imaginava que seriam tantas.

Na borda de um dos países mais fechados do mundo , ficamos 7 horas parados.  Nosso passaporte passava de mãos em mãos ate que sumiu para dentro de uma grande casa,  poucas as pessoas por ali  falavam o Ingles.  De vez em quando alguem aparecia e falava “so mais 10 minutos”,  esses foram os 10 minutos mais longos de minha vida.  A toda hora me era feito um interrogatorio,  perguntas como se já estive na Syria,  Libano e Israel foram frequentes.

Pude sentir que a presença de estrangeiro naquela fronteira era uma coisa rara,  pois,  mesmo os oficiais que ali trabalham não sabiam como agir em relação a gente.

Depois de telefonemas para Tripoli,  tivemos que contratar uma agencia de turismo local para  que assumissem a responsabilidade sobre nós,  algo como uma garantia que iremos sair......  tive que fazer um deposito em dinheiro  com a promessa que o mesmo será devolvido na fronteira seguinte. Só assim conseguimos a liberação dos vistos.

A segunda etapa,   foi ainda mais demorada, a liberação das motos.  Eu nunca vi nada igual,  foi feito um pequeno livro com  cerca de 10 folhas , que aqui eles chamam de carnet.  Outra atitude bastante diferente e que  pela primeira vez presenciei ,  foi a entrega de uma placa arabe, a mesma foi colocada em minha moto. No momento estou rodando em um veiculo com placa da Lybia.  O valor cobrado pelo serviço saiu em torno de 300 dolares.....

A espera foi tanta que vale a pena registrar que o mesmo lanche que é servido para os oficiais,  foi oferecido para gente na fronteira.  A todo momento eu reclamava de fome e no local não havia nada para comer.  A nossa saida so foi liberada as 17 horas.

Ja havia sido avisado na fronteira,  e pude verificar o perigo de se pilotar neste país.  Não existe limite de velocidade por aqui,  os carros ultrapassam nas estreitas estradas,  fazendo com que o veiculo  que vem no outro sentido tenha que encostar no acostamento.   Com o tempo fui percebendo que os veiculos piscavam farol e entravam na pista contraria ,  o outro na direção contraria ja entendia a ação e entrava para o acostamento.  Resultado,  eu andava com a minha moto quase o tempo todo no acostamento....

Tive uma grande surpresa quando parei para abastecer e registrei que o litro da gasolina aqui custa o equivalente a vinte centavos de real.  Preço assim eu so havia visto no Irã , onde consegui encher meu tanque com apenas 1 real.  Descontraido, o frentista me falou que gasolina aqui era mais barato que água.

Já havia sido avisado na fronteira e pude constatar outra  atitiude mirabolante do coronel Kadafi.  Com o intuito de valorizar a lingua arabe e tambem para assustar os turistas estrangeiros,  todas as placas e informativos da Lybia são em arabe ( sem excessões).  Na estrada tive que fazer uma cola do escrito Tripoli em arabe e ir acompanhando as placas,  pelo desenho que havia feito.

Na chegada a Tripoli,  a dificuldade foi achar pelo hotel,  a cada esquina tinha que parar e perguntar para alguem sobre o nome da rua  uma vez que as placas indicativas eram so em arabe,  tive grande sorte quando um motorista me falou que me levaria ao local que eu procurava.

Quando o simpatico motorista me deixou eu estava no centro de Tripoli,  uma grande praça chamava a atenção,  em todos os cantos eu via grandes banners com a imagem do coronel Kadafi com a curiosa bandeira da Libia.  A bandeira do fechado país é somente uma faixa verde,  sem nenhum detalhe e nada escrito,  segundo eles o significado é : “nada precisa ser escrito, ALLAH já diz tudo”.....  A frase é realmente certa para o povo local,  a toda hora mulheres de véu e burca cruzam as ruas,  e diferentemente  da Tunisia onde  eu passava pelas ruas e as pessoas e comerciantes me chamavam ,  aqui ninguem nem olha para sua cara ,  as tradicionais mulheres  cobrem seu rosto com seus véus ao verem a minha aproximação ou de algum estrangeiro.

A internet é extremamente lenta,  por motivos profissionais escolhi um hotel melhor para hospedar - me,   preciso enviar as imagens para Tv no Brasil.  As dificuldades aqui com internet são um absurdo,  um video que no Brasil demora 10 minutos para ser enviado aqui se gastam 3 horas.  Diversos sites são bloqueados o acesso como o tradicional You Tube.

Fiquei em Tripoli por dois dias enviando imagens e conhecendo suas vielas e povo.  Parto em direção ao Egito onde terei que enfrentar 2 mil Km atravessando o deserto do Sahara.

De Tripoli-  Rodrigo Fiuza



Referências:

Leia mais...


 
JPAGE_CURRENT_OF_TOTAL
<< Início < Anterior 1 2 3 Próximo > Fim >>

PATROCINADORES