Rodrigo fiuza
                                                      
                                                                                                                                  
 

O Atleta da Paz

"Vim ao mundo com um proposito diferente, sei que não sou capaz de mudar o planeta, mas sei tambem que muito posso fazer pela paz e pelo bem estar das pessoas. Esta é minha missão e atrás disso lutarei toda minha vida".

No começo isso era so uma idéia e, com muita luta, se tornou realidade, Recebido pelo presidente brasileiro, o Atleta da Paz se tornou portador de uma mensagem, uma palavra de esperança que ele leva para os 4 cantos do mundo.

O objetivo do Atleta da Paz e o Projeto visa:

Levar solidariedade a países que passam por conflitos ajudando a elevar a auto estima das pessoas.

Doar alimentos a regiões pobres ou devastadas. Não medir esforços para levar mensagens de paz.

Levar mensagens que propaguem a paz, atraves do esporte.

Acredito que se cada pessoa fizesse um pouco de si, poderíamos viver em um mundo bem melhor.

O Projeto ::. 
 

Em 2004 Rodrigo Fiuza, partiu não só para mais um grande desafio, o "Caminhos da Paz", como é chamado o projeto, mas também para uma missão: "Percorrerei todo o Oriente Médio de moto, completarei a incrível distância de 66 mil kilômetros em cima de uma motocicleta 125cc. Além de percorrer uma distância inédita e jamais feita, levarei uma mensagem de paz do povo brasileiro ao oriente Médio. O projeto está programado para durar 2 meses e percorrerá os seguintes países: Turquia, Siria, Irã, Iraque, Afeganistão, Paquistão, Tibet, Nepal e Índia. Viajarei por países devastados pelas guerras, com uma população reprimida que ainda acredita que pode haver paz. Será esta região, o barril de pólvora do mundo, ou simplesmente um povo que não se entregou aos prazeres do ocidente? Perigo, prazer e adrenalina serão constante durante a realização do projeto, algumas medidas de segurança com certeza serão tomadas, porém aventura é aventura e esse sentimento está em todos nós aventureiros e de nada adiantaria uma missão, sem o sentido real da palavra "aventura", com certeza prever o perigo é uma missão impossível, estamos sim, nos preparando para encararmos qualquer tipo de situação." 

"O maior medo que tenho é o medo de não partir, esse sim me descontrola e me traz muita insegurança. Muitos me perguntam se sou maluco.... acredito que todo ser humano, que corre atrás de seu real sonho, por mais maluco que ele seja pode se considerar uma pessoa feliz e maluco são aqueles que não lutam para fazer de seus sonhos uma realidade.. Em uma pequena motocicleta, terei acesso aos pontos mais desconhecidos de cada um desses países. O objetivo é o de desejar paz para cada pessoa que habita esses locais. Entregarei em residências, comércios e casas de estado uma mensagem de paz e liberdade traduzido em seus dialetos próprios. Além de expressar a vontade de nosso povo, mostraremos a cara de nossos sentimentos a pessoas distantes, que, provavelmente não sabem nada sobre a nossa cultura e nunca tiveram contato com nenhum brasileiro. A mensagem, conta ainda com o apoio do governo federal brasileiro e da Unesco."

A expedição será acompanhada durante todo o percurso, por um jornalista, que estará enviando fitas e matérias para uma produtora, assegurando assim a qualidade dos documentários.

Roteiro ::.

Mensagem ::.

7 de junho - Índia
"Há dois meses atrás eu embarcava para, talvez, a maior aventura de minha vida. Com uma bagagem restrita, uma mensagem de paz e em cima de uma pequena moto 125cc eu iria entrar em um mundo desconhecido. O objetivo era percorrer os países mais fechados e conflituosos do mundo, distribuindo uma mensagem de paz de nosso Brasil. Foi necessário muita determinação, estratégia, força de vontade e preparo físico para superar o cansaço, stress e a burocracia de cada país. Tive ainda que me adaptar a cada cultura. Pelas estradas rodei milhares de kms, presenciei coisas que jamais imaginava que um dia iria ver na vida, passei frio, calor de até 50 graus, sofri, cresci, me emocionei e vivi muito, agora agradeço por estar aqui vivo. 

Hoje não me considero um vencedor. Conquistei sim uma grande vitória interior. Superei meus medos e consegui levar um pouco de um sentimento que eu acho que deveria existir mais no mundo, a PAZ. Por isso tudo te agradeço, pois você foi o principal responsável por essa vitória. Obrigado pelo seu carinho e força. Nas horas mais difíceis abria meu email e lia mensagens lindas que me faziam reerguer e seguir em frente.

O carinho do Brasil e principalmente o seu foi um show! Realmente sinto orgulho de ser brasileiro.

Durante a viagem conheci muitos deuses e doutrinas: Allah, Shiva, Buda... Afinal Deus é muito grande para ser um só! E eu, a todo momento, rezava um pouquinho para cada um deles. Acredito que uma força especial e diferente esteve comigo em todos os momentos, e a essa força, a Deus e a você eu dedico essa vitória, essa conquista é nossa!!

No dia 19 de junho terminava mais uma etapa do projeto Caminhos da Paz.

Gostaria de agradecer as empresas que patrocinaram o projeto e que acreditaram no esporte, na paz e no ser humano: Petrobrás, UAI Estado de Minas, Redley, Yamaha motos, Salomon, Albergues da Juventude e Fórmula Academia."

13 de junho - Bicaneer, Índia 
:: "Estou no interior da Índia. Saí de Nova Deli com destino a Agra (Taj Mahal). Cheguei no Taj ontem cedo. Para quem não sabe o Taj Mahal é considerado uma das sete maravilhas do mundo moderno. É uma obra monstruosa feita por um rei muçulmano para a sua principal esposa. Só para se ter uma idéia a obra demorou 22 anos e teve a participação de 20 mil pessoas. Tudo isso em nome de um amor eterno! O rei queria ainda construir um segundo Taj, todo em negro, porém seus filhos não deixaram. Hoje quando se entra no castelo pode se ver o túmulo da mulher e do rei. Agra fica a 220 km de Deli.

Não tenho muito mais tempo e hoje mesmo parti para Bicaneer, que fica a 600 km de Agra, numa região que se chama Rajastão, onde se localiza o "castelo dos ratos". O calor na estrada está insuportável! O termômetro do meu relógio atingiu 48 graus. Estou perto da fronteira do Paquistão e já é tudo deserto novamente. Realmente voltou a fazer muito calor na estrada, mas agora ficou mais fácil pois o pior ja passou e estou a cada dia mais perto do Brasil.

Estou com muita vontade de conhecer o palácio amanhã Depois vou para o norte de novo e então volto para Deli, para embarcar a moto de volta para o Brasil."

10 de junho - Nova Deli, Índia 
:: "Estou hoje em Nova Deli. De Katmandu até aqui são 1600 km. O que impressiona é a precariedade das estradas. A Índia tem 1 bilhão e 200 milhões de habitantes e nas estradas você praticamente não se vê um lugar sem ter gente. E a pobreza impressiona. Nunca vi tanto mosquito em minha vida! As pessoas aqui comem tudo com as mãos. Quando você viaja pelo interior fica muito difícil de comer.

Onde você vai as pessoas ficam te tocando. Aliás, se você quer realmente conhecer a Índia, não adianta ir só à Nova Deli. Tem que pegar estrada para entender o que é este país. Fico pensando qual o padrão de felicidade das pessoas que vivem aqui, pois diversão não se vê nenhuma (usando os nossos padrões ocidentais). Outra coisa que me impressionou é que as pessoas daqui fazem das ruas os banheiros de suas casas, fazendo todo tipo de necessidade, sem se importar com qualquer presença alheia.

Vacas e búfalos andam livremente pelas estradas, gerando às vezes verdadeiros congestionamentos. Pelo que pude ver, viver aqui é muito difícil. O acesso a tudo é muito ruim. Viajar pelo interior da Índia é uma verdadeira lição de vida. Podemos ver o outro lado da moeda entrando em uma vida que jamais imaginaria existir. É o acesso a um mundo miserável e tranquilo. As pessoas por aqui - devido a sua religião - aceitam a pobreza naturalmente. "Deus quis assim", e assim vivem. Barracos e colchões ficam jogados na beira das estradas, misturados muitas vezes com água de esgoto. As leis de trânsito, parecem não existir. 

Caminhões viajam com pessoas nos bagageiros e ônibus, que cabem 40 pessoas, levam 60. A direção é do lado direito e atrás dos caminhões vêm a frase "buzine por favor". Vocês podem imaginar né? Aqui quase todos os veículos não têm retrovisor e a buzina é a forma de se falar que você está chegando! O problema é que o barulho nos deixa com dor de cabeça...

A Índia me fez virar mais humano e também valorizar os mínimos detalhes, mas o maior sentimento que tive aqui, foi o de ser a pessoa mais feliz do mundo por ser brasileiro."

07 de junho - Katmandu, Nepal 
:: "Depois do Safari e de muita estrada ruim estou de volta a Katmandu. Vocês não vão acreditar, mas na cidade onde fica o parque Chitwan Nacional, mora um rinoceronte que cresceu no local. Depois que seus pais morreram os moradores locais passaram a criar o animal. Até aí, tudo bem, porém vocês não podem imaginar a hora que eu encontrei com esse belo animal... Eu havia saído para comer alguma coisa de noite e estava voltando a pé para a pousada. Devia ser 21 horas. A cidade não tem luz nas ruas e eu estava caminhando tranquilamente vendo a bela lua. Já havia sido avisado por duas pessoas para tomar cuidado com elefantes selvagens e rinocerontes, pois frequentemente eles usavam as ruas do povoado como sua "floresta" e já haviam matado algumas pessoas. De repente eu escuto um barulho no mato e de lá sai um grande rinoceronte. Eu saí correndo igual um louco! Foi quando encontrei um nativo que me parou e disse que não era preciso me preocupar. Me disse que correr jamais seria a solução, pois o animal sendo da selva certamente me pegaria. Me explicou então que o correto seria me esconder, quieto, em algum lugar. Agora imagine você andando pela rua de uma pequena cidade no Brasil e dar de cara com um rinoceronte! Ontem pela manhã, voltei à cidade e vi o animal. Realmente ele é super dócil. Inacreditável! Tirei fotos e fizemos filmagens abraçados com o bicho.

Cada dia que passa acontecem coisas surpreendentes. Hoje, em Katmandu, conheci um templo sagrado dos Indus. Dentro do templo passa um rio que é sagrado para os Indus e o inacreditável é que os mortos são cremados ali, a céu aberto, na frente de todos! Eu vi três pessoas sendo cremadas... As cinzas são jogadas logo em seguida no rio, assistida aos prantos pelos familiares e curiosos como eu, que estão no local. Outra coisa que me impressionou bastante foram os "shadus". Eles são pessoas que abdicaram da vida normal e vivem isolados, meditando. Eles não precisam ser cremados, pois não reencarnarão. Estão atingindo o Nirvana. Pude conversar com o shadu Babamilk, ele se transformou em shadu aos 15 anos, quando teve uma visão de Shiva (Deusa Indu). Há 65 anos que ele leva a vida de dedicação à Deus. Não corta os cabelos e vive isolado. Entrei dentro de sua "toca" e, inacreditavelmente, ele me contou que há 25 anos só toma leite e não come qualquer outro tipo de comida. depois de falarmos sobre a paz mundial, fui presenteado: tive o previlégio de tomar junto com essa pessoa sagrada dos Indus o seu tradicional leite. Estava gostoso, com gosto de canela.

Amanhã estou indo em direção ao ultimo país da expedição, a Índia."

05 de junho - Nepal 
:: "Depois de conhecer a cidade de Katmandu, tive que pegar um ônibus devido à guerra e ao difícil acesso e segui para uma região que se chama "Royal Chitwan National Park", onde se localiza o melhor safari da Ásia. Aqui os safaris são em cima de elefantes.

A guerra civil está acabando com o turismo no país. As estradas estão todas destruídas. Só para se ter idéa uma viagem que era para demorar 4 horas levou 18! Saí ontem às 7:30 da manhã de Katmandu e so cheguei aqui à 1 da manhã. As estradas estão cheias de barreiras caídas. Pude também presenciar uma coisa que jamais havia visto: vocês se lembram que falei que nos dois últimos dias o comércio estaria fechado por causa do dia dos Maoistas? Pois é, as batalhas acontecem mais no interior e ontem pude ver que realmente teve batalha... O parque fica bem no interior do país e, frequentemente, o trânsito parava na estrada e em uma dessas paradas ficamos esperando por 1 hora e meia. Notei que, frequentemente, passavam ambulâncias com as sirenes ligadas. De repente passaram 3 de uma só vez e resolvi olhar dentro delas. Para minha surpresa estavam cheia de soldados, o que significa que nos dois últimos dias houve muita batalha no interior. Um outro grande problema nas estradas é que o trânsito nos dias em que as estradas abrem ficam insuportável! Você só pode rodar nas estradas aqui 3 vezes por semana.

Quanto ao parque, hoje é o meu primeiro dia aqui. De tarde vou para o meio do mato em cima de um elefante, onde poderei ver crocodilos, rinocerontes entre outros. Visitarei também um campo de refugiados tibetanos que vivem aqui. A guerra tem acabado com o turismo no país. Os hotéis estão todos vazios e no comércio não tem ninguém. Estou sentindo um pouco do que esse povo passa. Pelo que pude ver está difícil fazer de tudo nesse país. É, sem dúvida, um dos países mais complicados de se locomover no mundo!

QUE SAUDADE DO BRASIL!"

03 de junho - Katmandu, Nepal 

"Desculpe a demora mais uma vez. Estava na estrada e só agora cheguei em um lugar seguro.

Entrei no norte da Índia por Amiristsar, porém o meu destino é o Nepal. Nunca vi uma coisa igual como o interior da Índia. É mais pobre que o Paquistão. Não tem luz, nem agua encanada e o esgoto corre a céu aberto. Por onde passo as pessoas "juntam" em mim, me pedindo dinheiro e ficam também passando a mão.

Achei que as dificuldades teriam acabado. Pura ilusão. Entrei em contato com o consulado brasileiro e o cônsul me aconselhou a não ir ao Nepal. O país está passando por uma séria guerra civil. Como eu não poderia deixar de seguir o projeto e também fazer juz a mensagem de paz que estou levando, lá fui eu... Entrei no Nepal às 8 da noite do dia primeiro e dormi logo na fronteira.

No meu primeiro dia de Nepal, pude sentir o clima de guerra. Um grupo rebelde chamado Maoista, está em guerra com o governo. O comércio estava todo fechado e fiquei sabendo que o grupo rebelde estabelece dias em que irão atacar e então passam comunicado via imprensa, falando para todos os comércios fechem. Tive que entrar escondido no hotel pois ficam fechados. Eles me falaram que os estabelecimentos que funcionam nas datas marcadas para fechar sofrem ameaças. Por onde se anda dá para ver o exército do governo pronto para batalhas. Nas estradas e cidades é comum a toda hora você ver barricadas com soldados fortemente armados e armas voltadas para você.

No mais, o Nepal, já é um país de habitos totalmente orientais. O traço das pessoas é oriental, são mais parecidos com os chineses. A religião se divide entre budistas e indús. Abrigando oito dos dez picos mais altos do mundo, o Nepal é o centro do montanhismo mundial. Ao todo são mais de 150 picos incluindo o mais alto do mundo, o Everest.

Hoje, dia 03 de junho, estou em Katmandu, a capital do Nepal. A cidade é conhecida como "paraíso do Himalaia". Esta antiquíssima capital prima pela diversidade de culturas e religiões. A cidade é toda preparada para o turismo, que, por conta da guerra, teve uma queda muito grande. É realmente muito triste você ver um país belo como o Nepal, com uma população simples e acolhedora, passando por esses problemas."

Clipping ::.

PATROCINADORES