
A Expedição ::.
Os objetivos da aventura
Rodrigo Fiuza parte para o Alaska com o objetivo de completar seu projeto Caminho das Américas, no qual busca diferentes formas de preservação ambiental no continente americano. Em sua moto, Fiuza passa por diferentes regiões e países, onde procura descobrir problemas ecológicos e, mais do que isso, soluções ambientais.
Tem-se então a imagem não só de um grande aventureiro, como a de um defensor da natureza.
Outro objetivo de Fiuza é o de repassar experiências de sua viagem através de palestras a respeito de conquista de sonhos, a idealização de projetos e a superação de obstáculos.
A grande justificativa é passar adiante a necessidade de acreditar em si mesmo e incentivar as pessoas à realização pessoal em um mundo cada vez mais competitivo.
Primeira parte da aventura - As diversas faces da América
| Depois de meses debruçados sobre mapas e livros, identificamos tudo o que teríamos pela frente. A viagem de 17.400 Km seria um grande desafio. Maior ainda por ser realizada em duas motocicletas 225 cc. | |
Sobre duas rodas enfrentamos a falta de espaço, o desconforto e a falta de potência que, em alguns trechos, não nos permitia exceder 60 Km/h. Fazendo com que exaustão e o estresse chegassem ainda mais rapidamente. Enfrentamos tudo cara a cara. Frio, calor, ventos, chuvas, tudo isto de uma forma indescritivelmente intensa e, as vezes inesperada. Não éramos simples observadores das paisagens, mas sim, fazíamos parte delas. | |
| Após alguns dias depois da partida, já havíamos perdido a noção de limpeza. O contato direto dos nossos corpos e mochilas com o tempo fazia com que estivéssemos sempre sujos, sendo várias vezes lavados pela água da própria chuva. Outro fato relevante é como perdemos a noção de distância. Tivemos uma sensação de alívio deliciosa ao chegar em Santiago do Chile. Pensamos: "estamos chegando". Estávamos a 4.000 Km de casa. Teoricamente, é uma distância impraticável para motos, mas, como já havíamos percorrido 13.000 Km, nos parecia que estávamos chegando. | |
Paisagens únicas, deslumbrantes, desertos, geleiras, picos nevados. Tudo foi mudando durante a expedição. Aquele calor sufocante, que atingiu os 46° mais ao centro da Argentina, foi sendo amenizado aos poucos. Em certo ponto do percurso avistamos uma grande nuvem branca. Veio a dúvida: o que é aquilo? Quando chegamos perto fomos apanhados por uma tempestade de vento. Era a Patagônia nos dando boas vindas. Imensas áreas desérticas, estradas com retas que chegam a atingir 100 Km em um cenário inóspito e solitário. Foi nessa paisagem única e diferente que atravessamos todo o deserto da Patagônia. | |
O ambiente era tão monótono que nos trazia um cansaço enorme, e o que é pior, quando decidíamos parar devido a exaustão de nossos corpos, a região não nos oferecia uma árvore sequer como abrigo. Quando atingimos o Estreito de Magalhães, fomos forçados a abandonar nossas motos pela primeira vez, colocando-as em cima de uma balsa que nos levaria à lendária Terra do Fogo. O frio era insuportável. À noite tentávamos de todas as maneiras nos aquecer, inclusive acendendo o fogareiro dentro da nossa pequena barraca . Neste ponto a escassez de combustível era preocupante, e por um vacilo decorrente de informações erradas tivemos que passar pela situação de falta de combustível, que foi superada graças a um grupo de Israelenses, dos quais compramos um pouco de gasolina. | |
Faltavam ainda 420km para chegarmos ao '' Fim do Mundo'' Ushuaia, localizada a 800km da Antártica, é o ponto mais Austral do planeta. O cenário mudou muito e o que se via agora eram os diversos lagos e lagoas, cercados por montanhas e picos nevados, que faziam da Terra do Fogo uma região única. | |
| O frio que congelava nossos corpos, e que era ainda pior devido ao vento provocado pela moto, deu lugar a um calor interno único, e meus olhos foram se enchendo de lágrimas pela sensação de ter chegado de moto, ao continente Antártico. Foi uma grande conquista.que faltavam ainda milhares de km a serem transpostos. Quando passávamos pôr essa situação tínhamos que esquecer um pouco as estradas e tentar viver os bons momentos. Um aspecto emocionante de se viajar de moto é que, por todos os lugares em que passamos, as pessoas ficavam nos observando, e querendo saber quem éramos e de onde estávamos vindo, várias vezes chegando a nos oferecer estadia e comida em suas próprias casas. | |
A região andina, que seria parte de nosso próximo percurso, nos reservou ainda mais belezas e, também, dificuldades. Depois de um trekking no Parque Torres del Paine, que durante 4 dias nos trouxe visuais únicos.Teríamos que passar pela região mais delicada da expedição, ou seja 2100km de estradas de rípio, que são estradas de terra cobertas por cascalho.Os pneus das motos por serem finos, não permitiam uma boa aderência, provocando tombos inevitáveis. A baixa velocidade e a necessidade de estarmos sempre atentos aos problemas da estrada fazia com que o cansaço chegasse ainda mais rápido. Quando chegamos em Puerto Mont, nos sentimos de volta à civilização. Deixávamos para trás a inóspita Patagônia, e com a sensação do objetivo cumprido, continuamos nossa viagem, que para nos, agora, seria muito mais amena, apesar das grandes distâncias, o vento e o rípio davam espaço para as estradas pavimentadas e, com elas novamente ao fluxo de carros e pessoas. | ![]() |
| Nesse novo roteiro a escalada ao vulcão Villarica, o mais ativo da América, e rafting no rio Trancura, foram emoções igualmente indescritíveis. Quando fazíamos a travessia dos Andes, já em direção ao nosso Brasil, na altura do pico do Aconcágua, o mais alto das Américas, nossas motos deram sinal de falta de oxigênio. O motor falhava freqüentemente, nos trazendo a preocupação sobre se moto iria ou não suportar todo percurso. Tivemos que retirar o filtro de ar, para liberar a entrada de oxigênio, mas, mesmo assim, a altitude era muita, forçando-nos a dirigir sempre com cautela. Chuva, muita chuva, em uma delas uma inesperada chuva de insetos, fenômeno que só você estando pelo mundo você pode vivenciar. Situações inesperadas, improvisos para dormir e para sobreviver. A descoberta de que somos capazes de conhecer o mundo, e vivê-lo como ele realmente é. Foram dias que vivemos na maneira mais simples de ser, nos transportando como nômades em cima de motocicletas. Vivendo e aprendendo muito. Passando pôr grandes metrópoles como Santiago do Chile e Buenos Aires e seus formigueiros humanos, mas, também podendo curtir a solidão dos desertos e das regiões mais inóspitas. | |
Patagônia A Patagônia Argentina abrange cinco províncias (Tierra del Fuego, Santa Cruz, Chubut, Río Negro e Neuquén) e está dividida em Andina e Atlântica. Montanhas, geleiras, florestas e lagos são o cenário da Patagônia Andina e fazem dela um lugar ideal para a prática de esportes de aventura. Seus pontos principais são Terra do Fogo, San Carlos de Bariloche e Parque Nacional Los Glaciares A paisagem muda completamente a leste, onde extensas e áridas planícies litorâneas formam a Patagônia Atlântica. A região é um verdadeiro santuário ecológico: baleias francas, orcas, lobos e elefantes marinhos, pingüins e outras aves marinhas se concentram, principalmente na Península Valdés. | |
No extremo sul da América do Sul, a diversidade de paisagens criou um dos cenários mais bonitos do mundo. Uma região onde quem impera são as altas montanhas da Cordilheira dos Andes, os bosques e glaciares milenares, os vulcões, os lagos coloridos, os rios velozes e um litoral atlântico com uma fauna marinha bastante rica. Alpacas, guanacos, pingüins, flamingos, baleias, elefantes e lobos marinhos e cervos são alguns dos habitantes da Patagônia.Que é uma das mais intocadas regiões do planeta. onde é possível praticar diversos esportes de aventura: trekking, escalada, mountain bike, rafting, canoagem, cavalgada e esqui. O homem acostumou-se a viver ali, em algumas cidades espalhadas pelo imenso território que ocupa parte do sul chileno e cinco províncias do sul argentino. Dos primeiros habitantes, os tehuelches na Argentina e os mapuches no Chile, restam poucos descendentes, além de algumas heranças como o próprio nome da região. Quando o navegador português Fernando de Magalhães chegou ali com sua frota, em 1520, não poderia imaginar que alguém vivesse numa terra tão inóspita. Mas logo os portugueses encontraram grandes pegadas na neve feitas pelas botas de pele de guanaco dos enormes indígenas. Essas pegadas foram chamadas de patagons. | |
A beleza e a diversidade patagônicas se devem à diferença de relevo: a oeste há campos de gelo e a Cordilheira dos Andes e a leste, extensas planícies.O Parque Nacional Torres del Paine, que protege alguns dos ecossistemas mais importantes do mundo é o mais conhecido parque da América do Sul. Outro parque nacional muito visitado é o Los Glaciares,são 13 glaciares, incluindo o grandioso Perito Moreno. "Rodrigo Fiúza" | |
| A segunda parte da aventura - Caminhos da América O projeto Caminhos da América, idealizado por Rodrigo Fiuza, foi dividido em duas etapas. A primeira, concluída em fevereiro de 2001, o atleta passou por todos os países do cone-sul totalizando 17.000 km rodados em uma moto de 250 cilindradas. Em 20 de abril de 2002, Fiuza partiu para concluir a mais difícil etapa de seu projeto que, somada à primeira, totaliza a maior distância jamais percorrida por um brasileiro em duas rodas - 45.000 km. Nesta etapa, ele seguirá para: Bolívia, Peru, Colômbia, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, Guatemala, México, Estados Unidos e Canadá. Sendo assim, Fiuza terá completado o impressionante percurso que vai do extremo sul ao extremo norte do continente americano, buscando pesquisar diferentes métodos de preservação ambiental. Rodrigo tem acompanhamento da nutróloga Ignez Accioly Bandeira, o que contribui consideravelmente para o sucesso dessa jornada. Ao pisar no solo do Alaska, Rodrigo Fiuza completou não só uma grande aventura, como também atingiu seu maior objetivo: a busca de novos caminhos para a preservação ambiental. | |
Diário ::.
14 DE JUNHO
Hoje Rodrigo Fiúza está no norte do Canadá, na cidade de White Horse. Agora falta pouco para sua chegada ao Alaska. Fiúza nos relata que nos últimos dias esteve fazendo uma média de 980 km por dia, uma vez que os postos de gasolina e os povoados estão cada vez mais escassos. Além de ter que calcular muito bem o gasto, Fiúza levou alguns galões de gasolina por precaução.
Neste trecho da viagem não há noite. São 24 horas de sol sendo que o mais próximo de uma noite, como nós conhecemos, acontece a 1 hora da manhã, quando o sol fica no horizonte dando a impressão de que vai se por. Mas não se põe!
Na segunda feira você terá a oportunidade de conversar ao vivo com Rodrigo Fiúza que estará contando todos os detalhes e curiosidades desta aventura que começou no dia 21 de abril, em Ouro Preto/MG. Fiúza falará direto de Fairbanks, no Alaska, às 4 da tarde, no Chat UAI. Você não pode perder!
09 DE JUNHO
Hoje eu parti para o Canadá (a distância foi pouca, apenas 250 km até a fronteira). Quando cheguei foi super legal. No lado americano não tive que apresentar nada. No canadense o pessoal me deu o maior suporte, inclusive os mesmos documentos usados na moto no Brasil servem para cá. Fiquei imaginando, porque na América Central necessitava tantos documentos, horas em aduanas e aqui o processo era tão rápido... Confesso que achava que seria o contrário.
No mesmo dia cheguei em Vancouver. Os canadenses deliraram quando eu contei de onde estava vindo!! Vancouver é uma cidade cortada por pontes e super bonita, uma das mais bonitas em toda a viagem. Daqui dá para sentir um pouco de "gosto de Alaska".
Diariamente saem daqui grandes transatlânticos para o Alaska, jornada que dura diversos dias. domingo o dia foi meio curto e na segunda-feira tinha que ver como seria a minha ida para o continente gelado!!!!!!
08 DE JUNHO
Vou ter que estar na segunda-feira, dia 10, em Vancouver, no Canadá, para resolver como vou para o Alaska. Aliás, isso está me deixando de cabelos brancos!
Resolvi passar sábado aqui em Seattle e conhecer melhor a cidade. O domingo aqui parece um pouco com o nosso, aí no Brasil. As pessoas vão todas para as ruas.
No centro da cidade vi uma manifestação de palestinos pedindo o fim da violência de Israel. Uma coisa que achei diferente foi ver algumas pessoas pedindo esmolas na rua. Não eram mendigos. Eles escrevem recados, sentam na rua e ficam esperando as pessoas depositarem dinheiro. Tinha um meio cara de pau: deixou um recado falando que queria comer um sanduiche no McDonals. E tem gente que ainda dá dinheiro. Coisas do mundo...
Outros pediam dinheiro de uma maneira "mais chique", tocando flauta ou violão em portas de Shopping. Mas o que fiquei impressionado mesmo foi com a quantidade de Orientais. Você os ve em todas as partes. Nos restaurantes, nas lojas, eles estão em todos os lugares.
Mas Seattlo é isto. É uma mistura de raças. Uma cidade muito cultural, chique e cara.
07 DE JUNHO
As grandes cidades americanas se diferenciam do Brasil, pois aí as cidades são todas "esparramadas", com grandes prédios. Aqui os predios se localizam mais no centro e o resto da cidade é formado por casas baixas. Neste dia viajei pouco, apenas 270 km de Portland ate Seattle, que já fica no estado de Washington e é o último estado antes do Canadá. Seattle é uma cidade - pelo que vi - super chique. Para quem gosta de bons cafés, bares e lojas preparem o bolso, pois é tudo muito caro. Aliás, tudo nos Estados Unidos é muito caro.
Seattle possui um dos maiores aquários do mundo. É fantástico! Aqui é também a cidade do milionário Bil Gates. Esta é uma das cidades mais frias dos Estados Unidos, justamente porque fica muito próxima do Canadá. Fico imaginando o pessoal aí no Brasil em clima de verão, de camiseta e bermuda e eu aqui de moleton, morrendo de frio! Uma outra coisa: voltei a ver montanhas geladas, que até então não as via desde a Cordilheira dos Andes.
Ah, o pescoço continua doendo muito...
06 DE JUNHO
Peguei a estrada pelo litoral da Califórnia com destino a Portland. A cidade se localiza no estado do Oregon. Este dia na estrada ventou muito, o que aumentou bastante o frio. O vento estava tão forte que jogava a minha cabeça como uma "bola" de um lado para o outro. Acabou que me deu um jeito no pescoço que não estou conseguindo nem mexe-lo.
O diferente do litoral é a presença de pinheiros margeando o mar durante todo o tempo, formando uma paisagem bem diferente. Em uma certa cidade, no meio da estrada, estava passando com a moto e parei em sinal do lado de um carro, como se faz no Brasil. E me aconteceu um fato não muito esperado: veio um carro de polícia com a sirene ligada e me abordou como se eu estivesse fazendo alguma coisa super errada. Mas as leis do Oregon não permitem parar ao lado de outro carro. Curiosidades de viagem... Expliquei ao guarda sobre a minha viagem e ele, admirado, me deixou seguir o caminho. Portland se localiza a 670 km de Red Wood e é uma cidade bastante fria!!!
05 DE JUNHO
Bom dia pessoal. Tudo bem? Hoje eu saí de San Francisco pela rota 101, a estrada que vai para o norte dos Estados Unidos, com destino ao parque nacional de Red Wood. Agora eu já começo a sentir um pouco do gostinho de "chegada". O relevo é totalmente diferente. Agora tem muita árvore e bosque. Por aqui eu já comecei a ver as plaquinhas alertando para os ursos. Isso já me deixa mais "próximo ao Canadá" e ao destino final que é o Alaska, apesar de ainda faltar muito.
A estrada também diminuiu de tamanho, já que vai pelas montanhas. Agora elas ficaram mais estreitas, do tamanho das do Brasil. Foram 560 km até Red Wood, que é o parque da lenda do "Pé Grande". O forte daqui são os trakkings e o mountain bike. O legal é que o Albergue da Juventrude onde eu tô hoje, fica de frente para o Oceano Pacífico e no meio do mato. É no meio da floresta mesmo, no meio das secóias e de frente pro Pacífico o que torna o visual super bonito, super agradável. É um lugar super legal! As árvores aqui são mais altas que a Estátua da Liberdade. Eu tirei uma foto com a moto do lado e é como se fossem três motos, uma do lado da outra, prá dar a extensão da árvore. Realmente chama a atenção da gente. Este é um parque de reserva da biosfera e a gente até consegue ver o urso preto, que é perigoso. O pessoal diz que não tem muito por aqui não. Mais prá cima é que eu vou ver mais.
Então hoje eu tô de partida. Como eu chego muito cedo nos lugares, eu consigo curtir e aproveitar bastante. Eu costumo sair sempre por volta das 7 da manhã e meu tempo rende bastante. No mais é isso. Eu volto a dar notícias!
04 DE JUNHO
Hoje eu parti para San Francisco. Foram 120 km na estrada, beirando a costa. Esta estrada é muito bonita. Ela vai de Santa Cruz à San Francisco sempre pelo litoral.
San Francisco é uma cidade super bonita. Acho que é uma das mais bonitas que eu vi até agora. Tirando algumas pessoas "meio malucas" pelas ruas, você não vê pobreza. Um lugar legal de se visitar é a ponte Golden Bridge, uma obra fantástica da engenharia, muito bonita. Tem também o bairro de Chinatown. É impressionante o número de chineses, vietnamitas e pessoas de olhos puxados por aqui. Eu perguntei porque tanta gente e me disseram que é por causa da proximidade da Ásia. E realmente a passagem prá Ásia daqui sai muito barato. Eu tive a curiosidade de olhar e você vai para a China por 400 dólares. É impressionante. Prá tudo quanto é lado tem letreiro escrito em chinês, muitos restaurantes de comida vietinamita e asiática de forma geral.
Conversando com as pessoas aqui no Albergue da Juventude, eu conheci um cara do Alaska que me disse uma coisa que me deixou muito preocupado. Ele me contou que o norte do Canadá que dá acesso ao Alaska, é muito desértico. Não é deserto, é desértico, não tem ninguém. E lá, ele disse, o problema nem são os ursos. Só que eu acho que se você está de carro, não tem problema, porque você tá fechado lá dentro. De moto é que é fogo! Mas ele disse que o perigo não são os ursos não. Aí eu disse: "Pô! O perigo não é o urso?". Ele disse que não, que são os mooses. Eu já até pesquisei sobre o bicho. São alces muito grandes, de mais ou menos 2 metros de altura com chifrões! Ele disse que eles vêem os carros passando na estrada e vão em cima! Eles atacam! Imagina se um deles vê uma moto passando e me dá uma chifrada, me joga no chão! Ele não para não! Ele vê o carro e não tem medo, não mede as consequências. O urso costuma fugir mas o moose não! Isso me deixou preocupado e eu perguntei o que eu faço. Ele me disse prá ir observando o tempo inteiro e se vir algum na beira da estrada é prá parar e deixar ir embora, de longe. Se passar na beira da estrada e ele estiver lá, ele ataca! Vamos ver né gente? Quem tá na chuva é prá se molhar... Vamos ver o que vai acontecer nessa reta final aí. Eu vou dando notícias. Hoje eu tô indo para o Red Wood National Park. São 700 km de estrada. Um abraço, Tchau tchau.
03 DE JUNHO
Bom dia Gente! Hoje saí do hotel que o pessoal pagou prá mim. Meu destino agora é o litoral. Eu queria conhecer o famoso litoral da Califórnia que todo mundo fala aí no Brasil. Então fui em direção à Santa Cruz, que se localiza a 320 km de onde eu tava e fica colado em San Francisco, só a 120 km de lá. Cheguei lá e tava meio vazio, apesar de estar começando o período de férias aqui e tava frio também. É legal, mas prá ser bem sincero, não chega aos pés das nossas praias. As nossas são bem melhores. O americano é que divulga bem e sabe fazer um marketing muito forte. Uma praia nossa como Porto Seguro ou Búzios é muito melhor. No mais é uma vila legal e a água da praia é gelada. O lugar é bom prá surf e tem inclusive uma praia onde foi filmado o filme "Caçadores de Emoção". A praia tem boas ondas, mas é só prá surf mesmo. A cidade é pequena e não tem nada de espetacular. Isso é Santa Cruz na Califórnia.
Eu vou aproveitar prá relatar uma coisa que tá até prejudicando um pouco meu trabalho e eu fico me perguntando "por que?". Internet! Eu passei por países menores como Bolívia, Peru, Equador, países da América Central e a gente tem acesso à Internet, barato e em tudo quanto é lugar. Por lá eu não tive nenhum problema. Foi justamente aqui que eu me surpreendi. Nos Estados Unidos - que é de onde vem tudo, que o "mundo copia" - a gente não consegue achar Internet. É uma coisa impressionante, você procura e não acha! São pouquíssimos lugares em uma cidade como San Francico, por exemplo, que têm Internet. E quando você acha, te cobram 10 dólares. Quer dizer, vai essa nota toda, né? É uma coisa que ficou na minha cabeça que eu não consigo entender. Eu achei que quando chegasse nos Estados Unidos ia ter Internet até na esquina prá usar, e de graça! E não tá sendo bem assim. É o lugar que eu tive mais dificuldade. É o lugar mais caro e o mais difícil de se encontrar uma Internet.
02 DE JUNHO
Hoje eu tive a oportunidade de conhecer melhor Hollywood porque eu fiquei até a hora do almoço. Lá tem uma rua principal que é onde têm os cinemas, os teatros e a calçada da fama onde os artistas pisam e deixam seus nomes. E foi isso aí: na parte da manhã eu visitei Hollywood e depois, no horário do almoço eu saí com destino à San Francisco, com uma parada em Santa Cruz. Foi só estrada boa, com 4 pistas de cada lado. São 700 km de Los Angeles até San Francisco. Santa Cruz é uma praia que fica colado em San Francisco.
Eu rodei em torno de 400 km, já tava começando a amanhecer. Olha como você precisa ter uma saúde de ferro prá esse tipo de coisa: aquele calorão, que tava insuportável, lembra? Aqui esfriou. Tá gelado! Parece que o verão esqueceu de chegar aqui. É claro que o verão aqui é em julho e agosto. Quero até ver o que eu vou fazer daqui até o Alaska. Eu tava até conversando com um americano e ele falou que em San Francisco é esse clima mesmo e subindo é daí prá pior. Quero ver... Já tô com duas blusas debaixo da jaqueta e tá muito frio agora.
O dia tá anoitecendo por volta das 8 da noite e lá pelas 6 horas da tarde tava tão frio que eu tive que parar em um posto de gasolina e pensei: "vou ter que dormir aqui mesmo". Olha que coisa legal que aconteceu. O dono do posto é mexicano. Eu comecei a conversar em espanhol com ele e conversa vai, conversa vem, me perguntaram o que eu tava achando daqui e eu disse que tava tudo legal, mas que os americanos não se importam muito com a gente e que no México eu tinha sido muito bem recebido, esse tipo de coisa. Eu comentei que tava muito frio e perguntei se poderia montar a barraca lá. Ele disse que sim.
De repente a esposa dele me fala:
- "Lá em casa tem jeito de você colocar a barraca no quintal, você quer?"
Eu disse:
- "Uai, melhor ainda. Tudo bem, eu quero sim".
Aí de repente ela sai do posto, volta e me diz:
- "Arrumei um quarto prá você dormir".
Aí eu falei:
- "Uai, beleza, vamos embora". "Tem que pagar alguma coisa?"
E ela:
- "Não, não tem não".
Aí eu vim seguindo ela e pensando: "poxa, tomara que esse quarto tenha um chuveiro, prá eu tomar um banho quente", porque eu tava morrendo de frio. Na hora que eu chego - vocês não acreditam - ela pagou um hotel com banheiro, televisão e tudo mais. Eu não soube como agradecer... E tem mais! Quando ficou mais tarde eles trouxeram comida prá mim! Eles passaram numa rede que se chama KFC e trouxeram um tanto de comida! Não sei o que foi isso. Não sei se ficaram com dó ou o que foi que aconteceu. Eu perguntei porque eles estavam fazendo isso e eles falaram:
- "É porque você veio de longe e nós gostamos de você".
Eu perguntei se tinha alguma coisa que eu pudesse fazer para retribuir. Eu tava muito sem graça. Eles fizeram tudo isso mesmo sem me conhecer! Ela, em um gesto muito bonito, colocou a mão no coração - eu até chorei - e falou assim:
- "É de coração".
Poxa... Eu até respirei fundo. Foi super bonito! Numa viagem dessa a gente fiva muito sozinho e quando a gente encontra pessoas que dão uma atenção prá gente, pô, você dá muito valor!
E é isso. Agora eu to partindo prá Santa Cruz debaixo de um frio enorme. Ainda bem que tá perto. São mais ou menos 300 km e depois eu vou prá San Fracisco. Chegando em Santa Cruz eu vou procurar correndo uma Internet porque o americano não gosta de futebol e eu to sem saber das notícias. Vou entrar correndo no UAI prá saber quanto foi o jogo do Brasil. No mais é isso moçada. Um abraço prá todo mundo!
01 DE JUNHO
Há tempos que eu estou reparando como tudo tá muito seco. Do Arizona até Los Angeles foi só deserto e muito calor. E aqui o calor é diferente do Brasil porque aí quando faz calor, chove. Aqui é um calor seco, com vento quente. Agora eu tô tendo mais oportunidade de conhecer o interior dos Estados Unidos. Eu tô bobo de ver o desenvolvimento. No meio do deserto eles arrumam alguma coisa para se tirar. Eu estava andando pela estrada e comecei a ver diversas hélices. Curioso, fui perguntar o que era aquilo. Me disseram que é para produzir energia a partir do vento já que venta muito por aqui. Outra coisa curiosa da Califórnia é a quantidade de mexicano. Você vê diversos letreiros em espanhol e parece realmente que você está num pedaço do México.
Chegando em Los Angeles você já se depara com os arranha-céus. É cada prédio mais bonito que o outro. Não é como as outras cidades que você anda, anda, anda até chegar ao centro. E logo na chegada - "olha o mico que eu paguei" - eu fui perguntar qual estrada eu pegava prá ir para Hollywood, porque eu tinha vontade de conhecer e sabia que ficava aqui na Califórnia. Lá fui eu, ó o "micão": cheguei, perguntei e o cara deu uma risadinha e disse: "Pô, Hollywood fica aqui do lado!" Vivendo e aprendendo... Hollywood é colado em Los Angeles. Em questão de 10 minutinhos você chega lá. E como eu não tenho tempo prá perder, fui direto prá lá, já que eu já tinha dado uma voltinha em Los Angeles. Cheguei lá e vi todo o deslumbramento. Aquela cidade dos artistas... Tirei uma foto daquela placa que a gente vê nos filmes, escrito Hollywood. Poxa, foi a realização de um desejo! Eu dormi lá, mas é tudo muito caro. Uma limonada custa 5 reais. Mas não deu prá ficar muito tempo e eu fui embora no dia seguinte.
30 DE MAIO
Saí de Shihauha e a perspectiva era chegar nos Estados Unidos o mais rápido possível. Deserto, deserto, calor... Foram 600 km até a divisa com os Estados Unidos. Cheguei na fronteira e tava lotado! Cheio de mexicano de um lado pro outro! E vocês podem imaginar como eu cheguei: aquela roupa de um mês e meio de viagem, todo sujo! Eles pegaram meu passaporte, levaram prá dentro e não me liberaram rápido. Fiquei mais ou menos 3 horas fazendo entrevista e tive medo de ver tudo ir por água abaixo e não me liberarem apesar de eu ter o visto americano. Vocês sabem, chega lá um brasileiro na fronteira... Não sei né? Não sei o que eles pensam. Fiz uma entrevista, expliquei tudo direitinho. A mulher que me entrevistou, no final, me perguntou: "... e onde você aprendeu inglês". Com isso me liberaram e "vamos pros States".
Na primeira rodovia que eu peguei, confesso, pela primeira vez na viagem meu olho encheu de lágrimas porque deu aquela sensação de dever "meio cumprido", porque eu sei que até o Alaska ainda falta muita coisa. Eu entrei por Ciudad Juarez, no México e saí em El Paso, nos Estados Unidos. Peguei a auto-estrada sem pedágio! De vez em quando passava alguém do lado e cumprimentava. É aquele tanto de carro passando, quatro pistas de cada lada da auto-estrada. Me senti pequeno na moto com aquele tanto de carro, mas me senti muito orgulhoso de estar levando a bandeira do Brasil. Até um brasileiro passou de carro e perguntou em português: "Você é brasileiro?" Eu disse:"Sou!" Ele fez um "jóia" e continuou. Foi super legal.
Comida: imaginem as lojas de conveniência dos postos de gasolina aí do Brasil. Aqui na beira da estrada é igual. Voltei a comer bem! Vamos ver se eu engordo um pouco porque eu emagreci prá caramba aqui. Rodei por volta de 200 km e foi anoitecendo. Achei um terreno vago na beira da estrada e coloquei meu colchonete lá. Não dormi, né? Foi um olho aberto, outro fechado. Eram mais ou menos 10 e meia da noite. Quando foi 4 e meia da manhã eu saí.
Outra coisa que é bom falar é do calor daqui. Vocês não acreditam não. Mas não é nada que se compare ao "Rio 40 graus" em janeiro, na praia. É um vento quente que você pode estar na moto sem camisa que você não aguenta!
31 DE MAIO
Hoje eu saí às 4 e meia da manhã. Eu já tinha percorrido o estado do Texas e entrado no Novo México, indo em direção ao oeste americano. Tudo pista, auto estrada. Isso sem contar os caminhões daqui. São aqueles caminhões de "3 andares" e, não é mentira não, nenhum anda a menos de 130 km por hora! E eu na minha moto a 100, 110, tendo que andar na pista da direita enquanto os carros e caminhões me ultrapassavam. Aqui não tem limite de velocidade nem radar igual no Brasil não. De vez em quando eu pegava o vácuo de algum caminhão. Então hoje foi isso na estrada: esse calor horrível e as pistas muito boas.
Atravessei o Novo México. Foram mais 620 km e eu vim parar aqui na cidade de Phoenix, capital do Arizona. Tô aqui hoje. Phoenix é uma cidade de poucos prédios, grande, mas não fez muito meu tipo não. Mas é uma cidade americana típica. Super organizada, limpa. Coisa de primeiro mundo. Só tive bastante dificuldade de ligar para o Brasil e é uma cidade que não tem uma Internet! O Arizona é o estado do famoso Grand Canyon, que fica bem ao norte.
Outra coisa que eu lembrei: viajando pelo norte do México eu vi gado até gordo. Me lembrei do privilégio do Brasil que tem muito pasto, muito gado. Nesta viagem eu tô vendo muito deserto. O que tem de lugar sem vegetação é uma coisa preocupante. Isso é uma coisa até para anotar. Eu tô viajando pelas Américas e tô vendo que realmente tá faltando água. E eu olhava e ficava pensando: "o que será que esses bois estão comendo? Areia??" Depois eu ví que eles eram alimentados com super rações. O que mantém os bois é essa alimentação artificial. Eles são tratados para engorda e para serem abatidos. Então você vê aonde estamos chegando... Isso serve pro pessoal se concientizar, parar de desmatar. Tem algumas partes que são desertos mesmo, mas tem outras que são fruto do desmatamento. Bom, daqui eu vou para Los Angeles, porque o Arizona faz divisa com a Califórnia.
29 DE MAIO
Ontem então eu peguei a estrada para chegar na fronteira dos Estados Unidos. Fiquei até tonto! Eu bati meu recorde: 950 km. Acho que esse é o máximo que eu consigo andar na minha moto, porque ela não corre muito. Eu saí cedinho e só parei quando anoiteceu mesmo. Só se eu continuasse noite afora...
Eu tô na cidade de Shihauha. Fica à 500 km da fronteira dos Estados Unidos, da cidade de Ciudad Juarez. Esses 950 km fez com que eu passasse por todo tipo de clima. Eu peguei uma tempestade de areia que eu inclusive filmei. Eu nunca imaginava que veria isso na vida. Tive que filmar rápido porque senão ia entrar areia na câmera. Tampou a estrada toda. Ficou igual a nossa cerração, só que de areia. Um vento "violento". Parecia furacão! Peguei chuva, sol, calor. A chuva foi até bom porque deu uma refrescada. Então foram 950 km pegando de tudo. Cheguei aqui e vou percorrer esses 500 km até a fronteira. O terreno é todo "desertão" mesmo. Tudo muito seco, retas e mais retas. Mas a cidade de Shihauha é super legal, super organizada.
28 DE MAIO
Hoje eu saí da Cidade do México bem cedinho e meu rumo agora é os Estados Unidos. Vão ser quase 3000 km até chegar na fronteira. De hoje em diante eu tô nessa maratona da estrada! Devo demorar de 4 a 5 dias para percorrer esse trajeto. Não sei como vai ser, onde eu vou dormir, talvez na beira da estrada, esse tipo de coisa. Até peço a compreenção de todos porque eu não sei quando poderei entrar na Internet e ler o e-mail de vocês.
Bom, então hoje eu rodei muito e no memoento eu estou em um posto de gasolina e vou dormir por aqui. O pessoal me deixou montar a barraca e vou dormir acampado aqui no posto. Hoje eu tava pensando na estrada... Às vezes eu me sinto um pouco animal. Animal por que? Porque eu durmo em qualquer lugar e não posso me dar ao luxo de tomar banho ou de ficar trocando de camiseta, então o sentimento é que você é um pouco animal mesmo. Às vezes eu fico um pouco chateado com essa situação mas tenho certeza de que quando eu voltar à Belo Horizonte, essas imagens, essas coisas que eu to vendo e vivendo vão ficar na memória e jamais serão esquecidas. Olha só uma "imagem" que eu tive hoje: esse caminho que eu tô fazendo é bastante deserto até o norte do México. O caminho mescla paisagens desérticas com pequenos vilarejos que são muito organizados. Não tem aquela pobreza do sul e de outros países da América do Sul e Central. A situação que eu vivi hoje foi a seguinte: atravesando o deserto começou a chover, prá variar, né? Junto com a chuva começou a ventar muito e levantou uma camada de areia que parecia uma neblina invadindo aquele cenário de poucas árvores e areia do deserto. Foi uma coisa super bonita. Um cenário assustador e também curioso. É uma coisa que fica difícil de explicar. Tem que ver vídeo, tem que ver foto. Na hora dá muito medo, mas a imagem marca, marca muito.
Bom, agora eu tô no posto. Parou de chover mas ainda venta muito. A barraca tá voando de um lado pro outro aqui. É dormir agora e preparar pro dia de amanhã prá ver quantos quilômetros a mais até chegar na fronteira. É isso aí. Um abraço prá todo mundo e espero que essa parte dura da viagem seja legal e que eu entre nos Estado Unidos e possa contar mais prá vocês. Um beijo e um abraço.
27 DE MAIO
No dia 27 eu fiquei na Cidade do México. Eu já tinha ido à cidade em 2000, mas não tinha conhecido direito. Eu me surpreendi bastante com o país e com a capital. Apesar dos 25 milhões de habitantes, você não tem essa noção de "caos". As ruas pequenas e estreitas são muito poucas e o trânsito flui muito rápido. Apesar da quantidade de carros, percorri os 45 km que levam até o centro histórico da cidade sem problemas ou congestionamentos. Fiquei no centro antigo da cidade nos Albergues da Juventude e mais uma vez fui muito bem recebido pelo pessoal. O centro antigo conserva muita história. A catedral da Plaza de Armas é enorme e foi construída na época da colonização espanhola. Perto da catedral fica o palácio do governo. Inclusive estão acontecendo manifestações agora! Todas as cidades de colonização espanhola costumam ter uma Plaza de Armas. A Cidade do México também possui grandes museus com destaque para o Museu de Antropologia com ruínas e pirâmides. A cidade é uma grande opção para quem gosta do circuito cultural, para quem gosta de conhecer outras culturas.
26 DE MAIO
Hoje eu parti cedo para a Cidade do México. Peguei uma estrada muito boa, uma auto-pista. As estradas do México geralmente são muito boas. O velho problema são os pedágios... São 350 km de Acapulco até a cidade do México com a diferença que agora a estrada já não é mais pela beira das praias. Tem que subir as montanhas porque a cidade do México se localiza a 2500 metros de altura, então a paisagem já é outra, com montanhas e um terreno que não é tão desértico.
A Cidade do México me surpreendeu! Apesar de já ter feito uma rápida passagem pelo México, não tinha dado para conhecer bem a cidade. Eu imaginava que uma cidade com 25 milhões de habitantes seria uma coisa caótica. Mas não. A cidade foi planejada com grandes avenidas. O trânsito flui e você não vê congestionamento. Você nem percebe que a cidade tem uma população tão alta. Acho que é porque ela é muito grande. Só minha entrada dentro dela foi de 45 km!
25 DE MAIO
Uma coisa que ficou bem marcada no dia 25 foi o calor! Neste percurso de 320 km até Acapulco foram 61 quebra-molas! O calor tava demais. Sempre que eu podia eu parava e jogava um balde de água na cabeça porque o calor tava "derretendo".
Quando eu cheguei em Acapulco eu me surpreendi porque achava que era uma vila pequena e é uma cidade com toda infra-estrutura, uma cidade grande, legal mesmo. E é uma das praias mais bonitas que eu já visitei em todo o mundo. Lá tem uma influência norte-americana muito grande. Tem grande hotéis, grandes resorts e uma orla super bonita.
24 DE MAIO
Esse foi o segundo dia no México e a dúvida era qual rota seguir: a rota pelo Atlântico que passa por Cancun, mas dá uma volta de uns 2000 Km a mais ou a rota do Pacífico. Escolhi a do Pacífico. Depois de andar 738 km eu cheguei à Puerto Escondido. Foram dois dias percorrendo o sul mexicano que é muito pobre, a região do Chiapas. É uma população simples e hospitaleira. O problema de Chiapas é que eles sofrem muito com a seca. Eu passei por diversas pontem e os rios estavam secos. As casas são feitas de barro e é uma região desértica. O abastecimento também é bastante precário. Tem que ficar de olho nos postos senão fica mesmo sem gasolina! Eu andei 250 km atrás de um posto. Percorrendo esta região, chega-se a Puerto Escondido. Seu nome é dado pelo fato de ser um paraíso natural no meio do deserto. Aqui é diferente do resto. Já dá prá ver algumas matas. O forte de Puerto Encondido é o surf. As ondas quebram forte e atraem surfistas de todos os cantos. Eu cheguei cedo, na hora do almoço e montei minha barraca aqui na frente da praia. Um lugar super legal. Puerto Escondido é uma vila super charmosa, aconchegante, tipo Búzios. Parece bastante! Não tem ninguém por aqui mas acho que em alta temporada deve ficar lotado. Ontem fiz uma coisa diferente: na viagem a gente se acostuma a comer muita porcaria e ontem eu comprei um filé de peixe e comi como sashimi, lembrando dos restaurantes japoneses aí do Brasil. Adoro comida japonesa!
Hoje eu acordei às 6 e meia. Tô aqui arrumando as coisas e tô partindo. Amanhã eu tô chegando na Cidade do México. Depois de lá vai ser um período muito difícil porque até a divisa com os Estados Unidos serão 4000 km de deserto. Um abraço prá todo mundo. Agora eu tô indo para Acapulco.
23 DE MAIO
Que bom poder falar com vcs novamente! Hoje eu deixei a América Central. Eu já estou no México e tudo vai dentro do programado. Vou só fazer um pequeno resumo de alguns países da América Central:
Panamá: É um país que não tem muito a ver com o resto da América Central. É um país bem americanizado e com uma cultura diferente do resto da América Central.
Costa Rica: É um país que explora o turismo de aventura. Ele fazem um marketing forte em cima do surf. Lá tem algumas praias super legais para a prática do esporte. Pena que peguei muita chuva e não pude fazer muita coisa. Tem também muitos esportes de aventura como subida aos vulcões, trekking, bump jump, esse tipo de coisa. A América Central tem muitos vulcões desde a Costa Rica até a Guatemala. Alguns, inclusive, estão ativos.
Nicarágua: Dos países que eu passei é sem dúvida o mais pobre. As estradas não são boas e o clima muito quente também não ajuda. É comum ver crianças pedindo dinheiro.
Honduras: É o país dos Maias. Tive a oportunidade de ir à Copam e ver as construções antigas, a cultura deste povo e tudo mais. Os Maias são mais antigos que os Asteca, aqui do México.
Guatemala: Visitei Antígua, conforme expliquei em outro diário de bordo. Rodei a manhã toda pela cidade. Visitei os museus da cidade e vi a importância que ela tem para o país. É um dos principais pontos turísticos da Guatemala. Este é o país mais montanhoso da América Central. Prá quem conhece a Bolívia ou o Peru, nota que na Guatemala as pessoas ainda se vestem de uma maneira toda colorida (como nestes países), preservando ainda seus costumes ancestrais. Isso tinha acabado aqui na América Central. E ontem quando subi no alto da montanha eu notei que lá as pessoas ainda se vestem assim. Nota-se então que só nas alturas as pessoas ainda se vestem desta maneira.
Por volta de 1 da tarde eu saí achando que iria chegar na fronteira do México. Depois que saí de Antígua, subi um morro de 3200 metros de altitude. Mais uma vez peguei chuva o tempo inteiro. Nesse tipo de viagem você tem que ter uma saúde "violenta". Saúde e determinação! Saí de Antígua no calor e no meio da serra começou a chover. Tava um frio de congelar! Anoiteceu e eu não aguentei seguir em frente, então eu tive que parar. Senti muito frio! Fiquei meia hora em baixo do chuveiro quente. Hoje acordei às 6 e meia e coloquei o pé na estrada. Eu tava bem próximo da fronteira do México: só 60 km e cheguei lá. Foi aquele trâmite normal de aduana. Como sempre demora muito e tive que pagar 20 dólares. Aliás, hoje eu tive que pagar o pedágio mais caro do mundo: 5 dólares. Entrei no México pela região de Chiapas. É uma região isolada e muito montanhosa. Viajei hoje 680 Km. Tô "cansadaço". Apesar de ser uma região montanhosa, tá fazendo muito calor. É preciso tem uma saúde muito boa. Ontem eu saí com calor, peguei esse frio violento nas montanhas e hoje eu tô aqui nesse calor de 50 graus! Agora eu tô aqui no final da região de Chiapas. Só tem posto de 120 em 120 km maios ou menos. Você tem que programar a gasolina se não fica sem mesmo! Amanhã eu tô indo prá Porto Escondido, Acapulco e Cidade do México. No mais, um abraço prá todo mundo! Inté!!
22 DE MAIO
Cheguei à capital da Guatemala, a Cidade da Guatemala, localizada a 240 Km da fronteira. A Cidade de Guatemala - nunca imaginava que fosse assim - possui um trânsito infernal. Além disso também não imaginava que a Guatemala teria uma cidade tão grande!!
Tratei de ir embora, para um lugar super legal e cheio de história. É a "Ouro Preto da Guatemala". Se chama Antigua Guatemala, a antiga capital do país. A cidade possui três vulcões ao seu lado e ainda conserva toda a sua arquitetura original. Mas o mais belo é que todas as ruas conservam a sua história. Não há nada mudado. E estou relatando exatamente o que é! Interessante também é que a cidade deixou de ser a capital porque sofreu um ataque de um de seus vulcões ativos, que deixou a cidade parcialmente destruída. Foi então que o governo resolveu mudar a sede do país para a Cidade de Guatemala que fica a 50 Km dos vulcões.
Vou mandar fotos também para vcs, aguardem!!
21 DE MAIO
Bom, as coisas deram uma melhorada. Acho que foi a reza do pessoal que ajudou. Cheguei em Copan, que se localiza na fronteira de Honduras com a Guatemala. A vila é um museu a céu aberto. Um templo Maia com data de 700 D.C. se localiza na região. Os Maias habitaram esta região da América Central desde o ano 1000 A.C.. Com a chegada dos espanhóis durante a colonização, foi tudo destruído! Este templo foi um dos poucos preservados. Os Maias eram bastantes vulneráveis, pois não eram de guerra. Viviam em florestas e não tinham tradições conquistadoras.
Eles cultivavam deuses em forma de gente e faziam esculturas com os rostos de seus deuses. Tirei fotos e vou enviar com exclusividade para o UAI. Um de seus costumes era, uma vez por ano, realizar jogos onde o vencedor era morto e se tranfomava em Deus. Disse então que ninguém deveria querer ganhar. Me responderam que era uma honra para qualquer Maia morrer e se transformar em um Deus! Coisas de costumes!
Aguardem as fotos! Hoje mesmo parto para a Guatemala.
20 DE MAIO
Estava ontem na hora do almoço em Manágua, capital da Nicarágua. Saí da capital e cheguei à fronteira de Honduras às 15 horas. A aduana demorou muito! Queriam me cobrar 50 dólares para passar, mas só paguei 8. Aqui na Nicarágua as estradas estão horríveis, com muitos buracos. Fica claro também que a pobreza é muito grande. Crianças entravam em frente da moto na estrada, fazendo gestos, querendo dinheiro, e dizendo que estavam com muita fome...
Fui tentar ligar para o Brasil lá da fronteira, mas o único orelhão que havia estava quebrado. Com a chuva, a energia acabou e também não pude me conectar à Internet. Resultado: fiquei lá parado até às 20 horas.
Nesta época do ano faz 40 graus em média durante o dia e de noite, frequentemente, há tormentas. Ontem por azar fui pego por uma. Eram raios de todos os lados, iluminando toda a estrada. Foi horripilante! Fiquei com muito medo! Procurei a primeira cidade que ficava a 40 km da fronteira, demorando uma hora e trinta para chegar.
Quando cheguei não havia luz. Estava tudo apagado e fechado. Procurei um hotel e dormi. Acordei cedo aqui em Tegucigalpa, capital de Honduras, mas já estou de saída para Copan. São 600 km até a fronteira com a Guatemala. Depois o México. Lá eu acho que a comunicação vai melhorar.
Abraco para todos e rezem por mim!!!!
18 DE MAIO
Hoje cheguei à capital, San José, Localizada a 350 km da fronteira. Resolvi dar uma parada e dormir aqui hoje, afinal é a capital do país. A Costa Rica é bastante conhecida por suas ondas, que atraem surfistas de todo o mundo. De San José, partindo para o leste, em duas horas se chega ao Caribe e suas águas transparentes. Se o destino for o oeste, se chega nos points das ondas, o Pacífico.
O país também chama a atenção pelo grande número de vulcões, como o Arenal, que está em plena atividade. Este se localiza mais ao norte do país.
Hoje consegui ficar em um lugar legal. Os Albergues da Juventude em San José, me deram uma super atenção. Deu para ter um dia de descanso! Amanhã parto para a Nicarágua. Vamos ver que surpresas este caminho terá. Espero que elas sejam boas! E que não tenha chuva! O grande problema é que estamos no verão e aqui, como no Brasil, tem muita mata e chove muito. Torçam por mim! Valeu!
17 DE MAIO
Cheguei na fronteira da Costa Rica muito cedo. Porém, ao contrário do Panamá, a fronteira aqui foi complicada. Fiquei 4 horas e meia para resolver a papelada da moto. Quando saí peguei uma tempestade que parecia um furacão! Foi a pior chuva que já peguei de moto em toda minha vida!. Foi barra!
A chuva começou e não parou até de noite. Me preocupa que ainda está chovendo. Vamos ver amanhã. Não dava para enxergar nada!! E para piorar começou a entrar água na roupa e eu fiquei todo molhado!! A Costa Rica é um país muito bonito e vou estar falando dele amanhã ou depois, pois hoje não tenho condições prá isso! Nada melhor que um dia após o outro..."Inté"!
15 DE MAIO
O Panama é o primeiro país da América Central, vindo do Brasil. O país sofre uma forte influência americana. Além de ser uma zona livre, sua moeda é o dólar. Notei um desenvolvimento maior. Basta dizer que fui retirar a moto e foi bem mais fácil. Houve mais agilidade para fazer os documentos e tudo mais. O que faltou em outros países foi visto lá.
A Cidade do Panamá, que é a capital, possui um estilo bem americano de ser. Por aqui tudo é bem caro, cheguei a pagar por uma água o valor de 1 dólar.
Pegando a estrada, de volta à Panamericana, se passa pela Ponte das Américas, que é onde fica o Canal do Panamá. O calor estava insuportável! Uns 45 graus! Aqui é verão!! O relevo é bem parecido com o do Brasil, com muitas florestas e um estilo tropical. O problema são os guardas: todos queriam um dinheirinho... Fui abordado 2 vezes na estrada e ambos inventavam coisas para retirar dinheiro. O primeiro queria 60 dólares: passei por 10! No segundo eu dei uma engrossada. Falei que não estava fazendo nada e que não iria pagar nada. Ele liberou resmungando. O dia foi se pondo e eu não chegava a lugar algum. Resultado: tive que acampar na estrada.
14 DE MAIO
A moto já havia seguido um dia antes e eu aguardava anciosamente a partida, para continuar viagem! Precisei, pela manhã ainda, ir ao consulado do Panamá, para pegar a licença para sair com a moto lá e, para variar, pagar mais uma taxa! Às 15 horas embarquei e fui!
Já no Panamá, notei uma certa diferença. O país é bem mais rico do que aqueles que havia passado. Para completar, iria dormir no aeroporto, já que no dia seguinte iria retirar a moto no lá mesmo. Vocês precisam ver! Estiquei o meu colchonete e foi lá mesmo que dormi! Tinha uma TV a noite inteira ligada, me atrapalhando a dormir. Foi péssimo!!
13 DE MAIO
Saí cedo para resolver os pepinos. Só não imaginava que seriam tantos. Fui direto ao aeroporto para preparar a papelada. Aqui no Equador é uma verdadeira burocracia. Para transportar a moto até o Panamá é como fazer uma exportação. Correria prá cá, correria pra lá... Resumindo: a aduana não queria liberar para hoje os documentos da moto para embarcar. Teria que ficar mais um dia aqui.
Mas agora estou bastante motivado. Nada me segura! Consegui ir até a chefona da aduana dentro do aeroporto. Já era 15h30 e seu expediente terminaria às 16 horas. Conversei, pedi, mostrei o projeto e consegui o tão esperado carimbo. Ela tinha que verificar e checar tudo.
Eu tinha um complicador para conseguir as coisas, aqui no Equador: eles olham bastante a aparência, e eu não estou nada aparentável!!
Próxima etapa: teria que retirar tudo da moto! Gasolina, óleos, literalmente desmontar. Não aguentei quando a pessoa falou que teria que tirar o "oleo de freno". É muito difícil tirar o óleo de freio!
Depois de tirar os óleos, levei a moto para a pista do aeroporto. Tinha que esperar a interpol para olhar. Isto mesmo Interpol! Chegaram lá com os seus cachorros labradores e deram uma geral. É até bonito de ver os cachorros procurando drogas. A moto embarcou então às 20 horas. Eu estou indo amanhã...
É isto aí mocada. Até o Panamá!
12 DE MAIO
Como já havia falado, hoje é meu dia livre em Guayaquil. Uma rodada pela cidade e fui logo pecebendo que aqui tudo está preparado para a Copa. É a primeira vez que o Equador participa de uma Copa do Mundo. Na cidade só se vê coisas da Copa e cartazes com a foto da seleção dizendo: "Vocês realizaram o nosso sonho!!"
Nas lojas, roupas e coisas da Seleção Equatoriana. E vocês não imaginam! Fora as roupas da Seleção Equatoriana, adivinhem qual é o uniforme que mais aparece nas vitrines. É isto mesmo: a da nossa Seleção. O Brasil! Que Saudade!!!
Á tarde houve um jogo entre Emelec e Quito e eu fui para fazer algumas imagens para a RedeTV em um programa de esportes. Entrei no gramado, entrevistei jogadores e divulguei a Campanha pela Paz: "Dê um cartão vermelho para violência". E depois assisti o jogo das tribunas.
É... Meu domingão foi assim. Só não tinha o sofá da sala e o Faustão... É isto aí.
10 DE MAIO
Estou "colhendo os frutos" do dia 10 até hoje, dia 12, pois foi um dia um estafante. A idéia era chegar na divisa do Equador. Iria deixar para trás o Peru, um país de constrastes. Das grandes montanhas, desertos, e os campezinos, pessoas que resistem ao tempo e a evolução para guardarem para eles as suas culturas, habitantes dos Andes.
No deserto agora, não se via mais campezinos, a população agora era outra, algumas aldeias distantes umas das outras apareciam em meio a muita areia. Uma população castigada pelo sol e pelo duro clima. É impressionante ver capacidade de adaptação de nós seres humanos. Que dia cansativo! Nada mais nada menos que 920 km de moto até chegar ao Equador. Pensava em facilidades, em um país diferente. Já era noite, umas 19 horas. A aduana equatoriana não facilitou no primeiro dia. A noite foi passada em um posto policial para maior proteção. Os postos de gasolina não funcionavam de noite e meu combustível estava no final. Em certo posto a pessoa que me recebeu carregava uma espingarda ano 70, o que me deixou um pouco assustado com o país. Mas se estamos na estrada, temos que estar acostumados a ver coisas diferentes.
No mais eu passei muito mal e até hoje estou um pouco adoentado. Mas, "bola para frente".
09 DE MAIO
A estrada Panamericana, agora é parte do cenário. A Panamericana, liga o Chile aos Eua, porém em cada país ela está de um jeito, não há uma regra para a sua conservação. Saí de Ica no Peru. O intuito era rodar o máximo possível. Agora o cenário já era outro, deserto. É impressionante. Não sabia, mas a costa do Peru é toda um grande deserto. Quase 2000 km de estrada e tudo deserto.
Para nós brasileiros um cenário super diferente! A velocidade na Panamericana é um pouco maior. A estrada está muito boa aqui. O atraso foi quando chegou em Lima: ela passa dentro da cidade e vira uma loucura! Milhares de carros e pessoas invadem a estrada, fazendo um grande atraso no dia. Para ser sincero agora, o deserto que até então era maravilhoso, já está cansativo. Aquela cor branca de areia se encontrando com o azul do céu já estava enjoando! Ou era o dia... A viagem foi de 780 km. E só teve uma parada, pois já era noite.
08 DE MAIO
Até que enfim, para mim o melhor dia da viagem. O caminho inicial, seria descer os Andes, até cair do lado oeste do Peru.
Muito frio pela manhã. A altitude atingiu os 4500 metros. Lhamas e alpacas invadiam a estrada, e, em certos momentos era necessário parar a moto, para ceder passagem aos nativos. Começou a descida e a estrada assustava! A toda hora apareciam abismos sem proteções. Se eu caísse, já era! Tirei fotos e filmei, porque só falando não dá para vocês conseguirem entender o que estou passando!
Descida, descida... Frio, frio... Gelo e montanhas nevadas. Depois de umas quatro horas, neste cenário a paisagem foi mudando. E foi aí que presenciei uma das coisas mais bonitas que já vi: a cordilheira encontrando com o deserto. Montanhas de gelo se confundiam com montanhas de areia. Foi quando o frio parou e tudo virou areia e cactus. IMPRESSIONANTE!!! Montanhas enormes de areia, muito vento e uma paisagem de tirar o folego!
A muito tempo merecia um dia como este de hoje!! Valeu. Às vezes precisamos andar e andar até descobrir um paraíso como este.
Agora, acho que acabou o frio. A cordilheira ficou para trás. Já estou na Panamericana que vai até os EUA. Estou à 200 km de Lima
Frio agora, talvez só no Alaska!!!
07 DE MAIO
Saí cedo de Cuzco. Os peruanos haviam me informado que havia uma estrada nova mais curta e que poderia passar por Abancay até chegar em Nasca e de lá já estaria na Panamericana. O começo foi super bonito. Passamos a cortar os Andes, com grandes altitudes e montanhas enormes. Porém ontem foi mais uma prova de que uma viagem assim é um ensinamento de paciência e improvisos. A toda hora acontecem imprevistos. Estava tudo certo! Pensava que iria dar para chegar em Nasca, mas, as informações mais uma vez não foram corretas. Para começar, mais vez teve estrada de terra. Não que eu não goste de terra, mas ficarmos limpos em uma viagem assim é bom! E a terra era sinal de sujeira, em roupas, mochilas e moto.
Como se não bastasse, no meio da terra havia uma barreira. A estrada estava sendo explodida e ficaria fechada até as 17 horas. Tarefa de paciência! Ler, dormir, olhar o rio e ver a hora passar. Mas, o grande problema era que iria abrir só às 17 horas e às 18 horas anoitece. Teria 100 km de terra à noite. Sujeira!!! Começou a batalha da terra, mas "tá limpo"! O problema é que mais uma vez tive que parar no primeiro povoado para dormir. E todo sujo!!!
06 DE MAIO
Cuzco,
Uma folga de um dia para poder conhecer um pouco mais de Cuzco. Apesar de já conhecer a cidade, valeria a pena ficar mais um dia. Cuzco é uma cidade histórica e é a porta de entrada para a cidade sagrada dos Incas. Nela, fazemos uma verdadeira viagem ao passado. Centenas de turistas invadem a cidade todos os dias à procura de aventura e cultura. E quem acha que Cuzco é só Machu Pichu se engana. A cidade oferece diversos trekkings, montanhismo e rafting. E uma variada rede de hotéis. Recomendo os Albergues da Juventude. O legal é ficar no mínimo uma semana. Mas eu não posso me dar a este luxo, estou saindo para o Equador e me falaram para passar rápido por Lima, pois é super perigoso!
05 DE MAIO
Saindo de Copacabana, fomos para a divisa do Peru. Perdemos quase 4 horas, com a saída da Bolívia e entrada no Peru. Haja documentos! Seguimos para Puno, sempre margeando o lago. Chegando em Puno no domingo e então pude ver bastante da cultura local. Bastante feiras, com tudo para vender. As carnes são expostas ao ar livre e as comidas feitas as vezes sem higiene, para os nossos padrões brasileiros. Mas considero super legal poder ver outras culturas e como outros povos comem e vendem os seus produtos.
Depois da breve parada, fui para Cuzco, onde se localiza Machu Pichu. Mais uma vez o frio fez parte do cenário na estrada. Cortando os Andes, pude passar com a minha moto ao lado de montanhas geladas. Uma visão tão surprendente que fazia com que o frio ficasse em segundo plano.
04 DE MAIO
Bom dia. Eu andei um pouco sumido porque tava vencendo as batalhas na estrada. Agora graças à Deus, consegui chegar em La Paz. Então vou falar desde o dia 1º.
Neste dia eu acordei às 6 da manhã e peguei a estrada. A idéia era chegar em La Paz no mesmo dia porque eram só 750 km. No dia tava chovendo muito em Santa Cruz de La Sierra. No primeiro momento peguei a estrada que passa pela floresta amazônica mesmo. Passei por campos de treinamento de guerrilheiros, mas a chuva é que atrapalhou um pouco. O tempo foi passando sem que eu percebesse que a altitude estava aumentando. A Bolívia é um país muito alto. Comecei a subir, subir e a moto quebrou. Na verdade ela começou a dar problemas porque não entrava oxigênio. Então ela andava engasgando. E aí, eu que pretendia chegar em La Paz no mesmo dia, tive que desistir. Tive que fazer algumas regulagens na moto prá ver se continuava rodando. E não parava de chover! Foi um dia super ruim. Tava frio demais. O inverno aqui na Cordilheira dos Andes tá muito forte. Então foi assim até chegar na casa de um campesino. "Campesino" é o nome que se dá à população local. Lá fui tentar dormir e foi aí que um pessoal se aproximou de mim e começou a dar a entender que estava querendo me assaltar. Começaram a me perguntar quem financiava a viagem, onde estava o dinheiro, como que eu levava o dinheiro... Não chegaram a dizer que era assalto, mas deram a entender que era um assalto! Foi aí que eu tive que usar o "jogo de cintura". Lembra daquela bandeira da paz que eu levo na moto? Eu falei que tava levando uma mensagem de paz aos povos da América Latina e inclusive dei alguns adesivos da Federação Paulista de Futebol de "diga não à violência". Também mostrei santos prá eles. Só então eles se mantiveram mais afastados e no final já tavam falando até "Deus te acompanhe" prá mim. Tive que usar esse jogo de cintura, mas sem dúvida foi um início de assalto. Mas aí eu dormi num colchão de palha e inclusive peguei alguma alergia que eu não sei se foi bicho. Tô com 42 pontos de coceira pelo corpo. Mas já tá ferida mesmo, tá ruim prá caramba, tá coçando, incomodando muito. E foi nessa casa. Eu acho que é porque o lugar é muito úmido, no meio de montanha, não bate sol. Deve ser algum ácaro, alguma coisa...
No dia 2 de maio, acordei às 5 e meia da manhã, o sol nem tinha nascido, tava muito frio. E eu pensei: "Hoje eu chego à La Paz". E voltei à estrada e a altitude foi novamente o grande empecilho. A moto não passava de 40 km por hora. Mas era 40km/h mesmo! Ela engasgava muito. Não adiantava acelerar tudo. Era perigoso até quebrar. Teve um trecho que eu cheguei a marcar que foram 160 km só de subida, chegando na altitude de 4600m. E sempre a 40km/h... Vocês imaginam o tédio de se viajar a 40km/h! A paisagem era maravilhosa, maravilhosa, lógico. Porém mais uma vez anoiteceu e a viagem de 750 km desde Santa Cruz já tava demorando muito. O que eu normalmente faço em um dia já tava demorando 2 dias e não havia chegado ainda. Então no dia 2 de maio eu ainda não tinha conseguido chegar em La Paz. Eu dormi num vilarejo na beira da estrada. Foi uma hospedagem bem simples que eu paguei 2 dólares. No dia 3 eu segui viagem. Foi só estrada mesmo. Foi quando eu cheguei à La Paz. Cheguei por volta de 2 da tarde. Então fiz uma revisão na moto. Hoje é dia 4 e eu tô em La Paz, de saída. Eu só dei uma descansada. Os 3 dias passados foram muito "pesados". Tô indo numa farmária olhar as feridas, aquelas... E continuando a viagem, eu vou seguir pra Copacabana e aí atravesso o Lago Titicaca, que é a divisa com o Peru. Então hoje eu deixo a Bolívia.
Um abraço prá todo mundo. Muita saudade do Brasil e de todos aí!
01 DE MAIO
Olá para todos, Bom dia. Hoje é dia 1º de maio e eu vou falar sobre os dias 29 e 30 de abril.
Dia 29 começou cedo! Às 7 horas eu já estava na estação de trem. Mais um imprevisto: arrumaram mais um documento que eu tinha que ter. Era uma licença de transporte da moto. Fui "correr atrás" enquanto o pessoal estava arrumando as outras coisas e fui em um tipo de Detran que tem perto da estação de trem. Lá no "Detran", estava tão demorado que eu mesmo entrei e bati uma carta. Imagina você, entrando em um Detran no Brasil prá bater uma carta de liberação! Então eu fui lá dentro prá bater a carta. No final me cobraram 50 reais pela liberação da moto. Detalhe: isso foi às 9 horas, que era o horário que o trem sairia. Me disseram que o trem ia ficar esperando e o trem foi embora! Foram dias conturbados! Na hora que eu cheguei na estação (por volta de 9h20min) o trem já tinha partido! Me falaram que a solução era pegar um táxi e correr atrás do trem prá pegar na próxima estação. E lá fomos nós... Peguei o táxi e corremos atrás do trem numa estrada de terra. Até que finalmente consegui chegar na estação e pegar o trem. Eu não tava acreditando que tinha conseguido! Tenho que mandar a foto prá vocês verem como que se consegue ficar lá dentro 28 horas! Foi o dia inteiro, praticamente, sem fazer nada, só escutando música. O trem sacoleja feito uma máquina de lavar roupa! E foi aquele tédio de passar o dia inteiro... De vez em quando parava em alguns povoados, era a diversão. O trem não oferecia nada para comer. As comidas dos povoados daqui da Bolívia são ruins. Você tem, que prestar muita atenção com o que come porque senão pode ter algum problema, ou coisa assim. Então o dia passou e tinham avisado que de noite poderia ter algum perigo também, porque a gente dorme, mas o trem é todo aberto e vai parando. Só pra se ter idéia teve uma parada de madrugada em que o trem ficou parado duas horas. Então o pessoal entra dentro do trem prá vender um monte de coisas. É um entra e sai a noite toda. Então é muito dificil você controlar as coisas. Me falaram que era perigoso alguém assaltar o trem. Então na hora de dormir eu tive que amarrar as mochilas no meu pé e no meu braço prá poder ter maior controle. No outro dia eu cheguei em Santa Cruz de La Sierra, aqui na Bolívia, às 3 da tarde.
A melhor do dia 30, que foi ontem, ainda estava por vir. Descarreguei a moto e deixei as coisas numa hospedagem. Aqui foi o primeiro lugar que eu tive que pagar um hotel porque já é mais perigoso. Saí prá comer e fui prá Internet. Na volta - eu não tinha levado documentos porque o hotel é aqui perto - eu me perdi! Não levei nada do hotel. Até pareço marinheiro de primeira viagem... Mas isso é bom porque a gente aprende. Eu fiquei até 01h30 da manhã rodando. Eu não podia pedir ajuda da polícia porque eu não tinha trazido documento. Eu fiquei com muito medo porque estava só com o dinheiro na cintura. Então contratei 3 táxis e nós ficamos rodando porque eu sabia as imediações da hospedagem. Mais ou menos 23h30 eu sai da Internet e fiquei rodando até por volta das 2 da manhã. Os 3 táxis ficaram se comunicando pelo rádio prá gente conseguir achar a hospedagem. Foi um aperto muito grande, porque no começo eu tava rodando sozinho de moto quando começou a chover e fazer muito frio e o pessoal tava me olhando muito. Não tinha mais ninguém na rua nesse horário e eu fiquei com um pouco de medo. Foi aí então que eu resolvi entrar dentro do táxi, parar a moto em um lugar seguro e sair atrás do hotel. Então nós ficamos rodando e eu não me lembrava nem o nome, nem o endereço do hotel. Dá prá acreditar? Bom, mas isso são estórias de viagem. Eu tô indo prá La Paz. Aqui no momento chove muito. São 700 Km até lá e eu devo chegar de noite. Um abraço prá todos!
29 DE ABRIL
Hoje Rodrigo Fiúza encontra-se atravessando a Bolívia, rumo a capital Santa Cruz de La Sierra no famoso "Trem da Morte". Fiúza está fazendo este trecho de trem pois as condições da estrada - 700 Km de terra - que ligam Corumbá, no Mato Grosso do Sul à Santa Cruz de La Sierra são péssimas. A viagem dura em torno de 20 horas.
28 DE ABRIL
Oi pessoal! Hoje é dia 28 de abril. Como eu falei, passei o final de semana aqui em Corumbá esperando o trem sair amanhã às 8 da manhã que vai à Santa Cruz de La Sierra. E o que eu fiz nestes dois dias? Não teve muita coisa prá se fazer. A cidade não tem muito o que fazer. O legal é que eu conheci o gerente da concessionária da Honda e nós aproveitamos esses dia e demos um reparo na moto, alguma coisa que precisava. A moto é Yamaha mas nós fizemos isso na Honda! O cara é super gente boa. O nome dele é Ivan e ele me ofereceu a casa dele prá ficar. Fiquei sábado e domingo. Dormi na casa dele, organizamos o almoço. Fui super bem acolhido!
No mais, Corumbá não tem muita coisa prá fazer. Foi um tédio tremendo! Eu que tô acostumado a ficar na estrada com muito movimento... Então quando passam dois dias assim, realmente dá um pouco de depressão... E no mais foi o final de semana todo assistindo televisão. Hoje, Faustão, né?! E eu aproveitei hoje prá rezar. Fui à missa prá dar tudo certo na viagem, prá que Deus acompanhe o tempo todo, uma vez que eu tô no início dessa jornada. No mais então, sábado e domingo foi meio monótono, foi uma espera pro trem de amanhã. Amanhã, 8 da manhã, sai o trem prá Santa Cruz de La Sierra. Demora em torno de 20 horas. Espero que dê tudo certo!
27 DE ABRIL
Oi. As durezas já começaram. Ontem foi só "perrengue", no dia de 26 de abril. O que aconteceu? Eles tinham marcado de estar lá às 8 da manhã prá colocar a moto no trem. Cheguei lá às 8 em ponto. Me fizeram comprar a passagem. Comprei, gastei dinheiro, tudo direitinho. E o trem saía às 3 horas da tarde. Eles mandaram retornar antes do meio dia prá pesar a moto. Quando deu 11 horas da manhã, eu tava lá pesando a moto e tudo, quando chega um cara da ferrovia e diz que não ia dar prá embarcar a moto porque o trem tava cheio. Isso, o outro cara já tinha prometido, diz ele que o outro cara não mandava em nada. Eu implorei, implorei, falei que tinha que cumprir dias e eles não deixaram de jeito nenhum a moto embarcar! Resultado: só ia ter trem na segunda-feira que eu pudesse viajar.
Tem uma estrada de terra. Nessa divisa aqui do Brasil com a Bolívia, só tem esse vilarejo, prá se imaginar o buraco que é. E depois desse vilarejo, a proxima cidade é Santa Cruz de La Sierra que é 700 Km daqui. Só que como de Santa Cruz prá cá não tem cidade nenhuma eles não investiram na região. E a estrada é toda de terra, esses 700 Km que ligam aqui a Santa Cruz de La Sierra. Já tinha viajado uns 100 Km na estrada de terra então você imagina mais 700 km de terra o que é que é. Dureza!
Caiu uma tempestade! E o terreno aqui do Pantanal é muito argiloso, muita areia. Então qualquer chuvinha que dá a estrada enche e vira lama. Mas é qualquer chuvinha mesmo! Já tinham me avisado que poderia ir, que dava pra ir, mas que era prá rezar prá não chover, e chuveu! Agora, a sorte foi que choveu só na frente. Atrás não choveu. Então a estrada não tava dando prá passar. A moto parou e atolou. Não tinha como... Resultado: tive que voltar prá Corumbá. Saí mais ou menos em torno de meio dia e retornei às 7 horas da noite, só prá rodar 200 Km nessa maldita estrada de terra. E tô aqui, preso em Corumbá até segunda-feira, esperando a boa vontade dos bolivianos que marcaram com a gente segunda-feira às 8 da manhã.
Vamos esperar porque não tem jeito. Pela estrada de terra é realmente difícil. E falaram que em Santa Cruz tá chovendo. Os "perrengues" começaram aí, mas nós temos que superar isso. Bom, é tentar passar por aqui o mais rápido possível porque realmente o lugar não é brincadeira não. Mas vamos lá. Então eu vou ficar hoje a amanhã aqui em Corumbá prá tentar na segunda-feira embarcar no "trem da morte". Até!
26 DE ABRIL
Bom dia. Vou falar sobre 25 de abril. O que eu tenho a dizer a respeito desse dia é que a expedição vai começando a tomar o seu rumo. Realmente foi um dos dias mais difíceis. Primeiro eu peguei a Transpantaneira e o clima tava muito quente. A gente não para de suar. É até desagradável. O corpo, ainda mais com a roupa de moto, esquenta mais ainda. Fica um calor tremendo! E os bichos também se escondem com esse calor. Então na beira da estrada eles sumiram e não deu prá ver quase bicho nenhum.
Na hora que eu cheguei na cidade de Corumbá, que faz divisa com a Bolívia, eu fui lá na fronteira prá tentar arrumar a documentação da moto prá colocar no trem. Prá começar, quando você entra no lado boliviano é impressionante como mudam as coisas. Do lado do Brasil você vê o desenvolvimento e quando você entra no lado boliviano nem asfalto direito tem. O povo fica pulando na frente da moto perguntando pra onde você tá indo, querendo te vender as coisa, né? E só prá se ter idéia, eu achei variação na passagem de 15 reais até 30 dólares. Então na hora que você entra e o pessoal vê que você é estrangeiro eles já tentam "furar seu olho", ficam pedindo propina. Realmente é uma situação ruim. Nós não estamos acostumados com isso aqui no Brasil. Por mais que tenha gente pedindo esmola aqui, nós não estamos acostumados com tanta gente assim.
Na Bolívia parece que não tem diferenciação de classe. Lá você não vê classe rica, só vê pobre. Principalmente no interior da Bolívia. E de noite deu uma certa depressão, eu me senti sozinho. Bateu! Quando você começa a passar por essas dificuldades, como ontem que eu passei, você começa a sentir solidão, um pouco de desespero. Então ontem não foi muito legal. Dá uma certa depressão de noite.
Detalhe: esqueci de falar que na Transpantaneira eu fiquei coberto de terra do primeiro fio de cabelo ao dedão do pé. Então quando eu cheguei em Corumbá a primeira coisa que eu fiz foi ir numa concessionária dar uma limpada na moto. Eu tava todo sujo, com aquele calor todo, então virava lama, né? A terra no corpo e eu suando então, virava lama! E aqui na concessionária fui super bem acolhido. Perguntei se eles me arranjavam algum lugar prá dormir e eles me deixaram dormir dentro da concessionaria! Então teve esse ponto positivo: uma pessoa que gostou e quis ajudar e me deixou dormir lá dentro, que é uma excessão tremenda. Então o dia de ontem foi basicamente isso. Hoje eu tô partindo daqui prá pegar o famoso "trem da morte", com destino a Santa Cruz de La Sierra e vou passar a noite toda dentro do trem. Amanhã eu volto a contar como foi tudo. Até amanhã!
25 DE ABRIL
Bom dia! Acordei hoje às 5:30 da manhã. Já tem o fuso horário. Aqui em Bonito é 1 hora a menos.
Ontem me foi oferecido pelo Albergue da Juventude dois passeios de graça aqui em Bonito, que vai ser inclusive o passeio que eu vou estar escrevendo para o Caderno de Turismo do Estado de Minas. De manhã nós fomos na Gruta Azul que é um lugar super bonito. A gente faz uma caminhada até chegar lá. Tem a boca da caverna, que é enorme. Lá em baixo tem um lago. É impressionante o fenômeno que acontece: a água é totalmente azul. Então nós fizemos este passeio de manhã. Foi o nosso grupo mais um grupo de estrangeiros. Voltamos e almoçamos. De tarde fomos fazer um mergulho no Rio Sucuri. A gente coloca os aparelhos e vai com a correnteza do rio levando a gente. É impressionante porque como não tem pesca, os peixes convivem sem problema nenhum com o ser humano. São peixes que chegam a medir 60, 70 cm e do lado da gente! Tem algumas cavernas que dá medo de sair uma sucuri de lá. O problema é a água fria. A água do rio tava muito fria! É um passeio super legal. Valeu a pena e é realmente inesquecível!
Hoje eu vou estar de volta à estrada. Prá subir até Corumbá vou utilizar a Transpantaneira. Então eu vou poder registrar os animais e toda a fauna. Eu quero ver é o "perrengue", porque vai ser tudo estrada de terra e falam que lá é o maior areião! Vamos ver o que vai acontecer! O pneu da moto escorrega muito nesse areião, mas vamos lá conferir porque nós estamos aí é prá ver realmente o que tem nos lugares, sejam eles mais perigos ou menos perigosos, tá bom? Então é isso aí! Eu volto a dar mais notícias. Um abraço prá todo mundo Tchau! tchau!
24 DE ABRIL
Bom dia gente. Vou falar então do diário de bordo do dia 23 de abril.
Depois de uma péssima noite que tive no posto de gasolina, lá na sala da mesa de sinuca, cheia de pernilongos, segui viagem. Iam ser mais ou menos 680 Km até a parada em Bonito/MS. Nesse meio, eu parei em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, que é a última cidade grande dentro do Brasil. Então fiz alguns ajustes, coloquei o que precisava ainda aqui dentro do Brasil e comprei algumas coisas prá seguir viagem. Então peguei a estrada outra vez. As estradas melhoraram agora aqui no Mato Grosso do Sul.
Entrei no Pantanal! A paisagem foi mudando e algumas coisas foram marcando. Uma delas foi a densidade da fauna. Super legal! Um momento de rara emoção foi quando um bando de araras azuis acompanhou a moto por mais ou menos uns 200 metros.
Ontem, o que eu achei estranho é que eu não rodei muito (foram 680 Km), mas eu cheguei arrebentado em Bonito. Cheguei com o corpo e as costas doendo. E a sorte é que pela primeira vez desde que saí de Belo Horizonte eu iria ficar hospedado nos Albergues da Juventude com um banho prá tomar e uma cama prá dormir. Ainda bem que meu corpo foi doer neste dia. Eu não ia dormir num posto de gasolina, e sim numa cama do Albergue.
Então no mais foi isso: a fauna do Pantanal, as araras e esse cansaço que realmente marcou ontem. O corpo todo doendo...
Bom, então vamos ver mais um dia e amanhã volto a falar com vocês!
23 DE ABRIL
Vou falar de ontem. Foi um dia de muita estrada. Viajei ao todo 900 Km. Estou a 150 Km de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. O que eu tenho a falar da estrada é que na divisa de Minas Gerais com Mato Grosso do Sul, e até agora, está em péssimas condições de rodagem com muitos buracos. Aqui eu já começo a perceber uma solidão. Não tem quase ninguém. É realmente uma estrada muito deserta. O terreno já mudou totalmente e eu já começo a ver grandes áreas planas.
Comecei a rodar às 7 da manhã e só parei às 8h30 da noite. Então foi um dia de muita estrada! Na divisa de Minas com o Mato Grosso do Sul não tem estrada. A gente pega uma balsa num rio muito bonito e atravessa.
Ah, e uma coisa interessante de se falar é que eu dormi num posto de gasolina que não tem nem asfalto prá entrar. É todo de terra. Eu pedi para dormir numa área onde fica a mesa de sinuca. Tava um calor tremendo com muito pernilongo. Dormi muito mal! Acordei às 5 da manhã. Não consegui dormir mais. Um calor tremendo e muito, muito pernilongo mesmo!
Então tá. Esse foi o dia 22 de abril. Um abraço!
22 DE ABRIL
Bom, tô aqui no primeiro dia de viagem. Hoje é 22 de abril. Saí ontem, dia 21 de Ouro Preto/MG. Tudo legal! Por volta das 11 descemos pro Mineirão. Coloquei a moto dentro do estádio, dei a volta olímpica. Foi super legal. Entrevista ao vivo prá Globo...
Coloquei a moto na estrada. Ontem mesmo rodei uns 200 Km. Dormi num posto no chão. Tava com preguiça de armar a barraca então coloquei as coisas no chão, peguei meu colchonete e dormi aqui na beiradinha mesmo. Agora são 6h30 da manhã e eu tô partindo prá mais um dia.
Hoje provavelmente vai ser só estrada pela frente porque ainda falta em torno de 1100 Km até Bonito/MS, que é onde eu vou dar a primeira parada.
É isso. Eu volto a entrar em contato!
21 DE ABRIL
Saída da expedição de Ouro Preto/MG com parada em Belo Horizonte/MG no Mineirão intervalo do clássico entre Atlético e Cruzeiro.
Apoio ::.
Participam com ele do projeto Caminhos da América as seguintes empresas:
Spasso Eventos & Comunicação
Schema 336 promoções
Academina BH-Rio Sport Center
Confederação Brasileira de Motociclismo
Prefeitura de Belo Horizonte
Uai - Estado de Minas
Federação Brasileira de Albergues da Juventude
ALE Combustíveis











